quarta-feira, 1 de junho de 2016

Olaf Blecker

- Quando você vai embora?
- Eu não quero ir embora!
- Não perguntei se você quer, perguntei quando?
- O que você diz? O que sabe disso? Não disse que vou.
- Sei que você vai.
- Por que você diz isso, assim?
- Porque sei.
- Desde quando? O que você pode saber?
- Desde sempre. Desde o início, quando vi você pela primeira vez, soube que partiria. Vi nos seus olhos.
- Eu amo você.
- Também sei disso. Eu também amo você. Mas também sei que esse amor não altera sua partida. Nem seu amor, nem meu amor, nem nosso amor por nosso amor.
- E o que eu faço? O que posso fazer?
- Partir.
- Não quero.
- Precisa.
- Por que preciso?
- Porque não pode ser de outro modo, para que você seja.
- E você?
- Eu já sou. 


Se tememos a morte, esse fim certeiro,
por ser o passo derradeiro rumo ao desconhecido,
por que o outro, o outro que amamos,
se amamos quando amamos, e é esse um mistério insondável,
esse outro oculto delicado e inalcançável não nos paralisa?
Que busca esta por lugares na alma do amado
que não nos são acessíveis,
passagens num labirinto que jamais serão percorridas,
que às vezes um som, uma fragrância vêm nos instigar,
aguçar nossos sentidos, alimentar nossos desejos?
Que cobiça? Que vertigem esta? Que fascínio há?

Oya (Oiá) é a divindade dos ventos, das tempestades e do rio Níger que, em iorubá, chama-se Odò Oya. Foi a primeira mulher de Xangô e...