Poder

a quem incomoda
um beijo
um carinho
uma foda?

é a palavra
a imagem
a mensagem
a lembrança do ato
o viril retrato
do pau que abre
caminho
o cheiro que exala
o gozo
a rola que rala
o duto
o cu do mundo
sem mapa
a dama que
se desnuda
a cona dada
sem drama
a penugem
que aveluda
a cercania do furo
o fotograma do
momento impuro
poluto ato
sem recato
e puto?

ou o desespero absoluto
de saber
que alguém fode
sem culpa?

que alguém pode
decidir sozinho
se chupa o pinto
se abre a boceta
se mete sem medo
se dá sem dono
se o dedo avança
se a língua explora
se fora ou dentro
se goza na coxa
se a roxa cabeça
do pau avança
se faz criança
ou é por trás
se cruza com moça
ou com rapaz
se quase morre
se falta o ar
se perde o sono
se some a fala
se resta o falo
se tira e bota
se nota o volume
se vê que escorre
o leite quente
se vai pra frente
que atrás vem gente
se chupa a bala
se sente o gosto
se engole a gala? 

será por ver
que alguém pode ter
e exercer
esse poder
de simplesmente
impunemente
divinamente
(quando quer e
quando é querer)
foderfoderfoder?

sem ter que levar
a cruz
sem ter que assinar
contrato
sem ter que passar
recibo
sem perder o fino
trato
sem deixar de ser
doutor
sem ter que jurar
amor?

a ninguém devo favor
nem senhor me dá licença
nenhuma crença me amarra
nenhuma farra me escapa
nenhum mapa me norteia
nenhuma ceia me farta
nenhuma carta me rege
nem me protege algum deus
meus gozos são todos meus

a quem enfim
incomoda
o meu desejo
a minha porra
a minha foda?


Alessandro Sbampato

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