"Passion Play", 2009 - Geoff Ault

Por Favor Meu Amo

Allen Ginsberg

Por favor meu amo deixa eu tocar teu rosto
por favor meu amo deixa eu me ajoelhar a teus pés
por favor meu amo deixa eu baixar tua calça azul
por favor meu amo deixa eu contemplar o teu ventre de dourados pelos
por favor meu amo deixa eu tirar tua cueca devagarzinho
por favor meu amo deixa eu desnudar tuas coxas para meus olhos
por favor meu amo deixa eu tirar minha roupa sob a tua cadeira
por favor meu amo deixa eu beijar teus tornozelos tua alma
por favor meu amo deixa eu colar meus lábios na tua coxa dura lisa musculosa
por favor meu amo deixa eu grudar o ouvido no teu estômago
por favor meu amo deixa eu abraçar tua bunda branca
por favor meu amo deixa eu lamber tua virilha de pelos louros e macios
por favor meu amo deixa eu tocar coma língua teu cu rosado
por favor meu amo deixa eu esfregar o rosto no teu saco,
por favor meu amo, por favor, olha nos meus olhos,
por favor meu amo me manda deitar no chão,
por favor meu amo manda eu lamber tua pica grossa
por favor meu amo põe tuas mãos ásperas no meu crânio careca cabeludo
por favor meu amo aperta a minha boca contra o coração do teu pau
por favor meu amo aperta o meu rosto contra o teu ventre, me puxa
lentamente com teus polegares fortes
até tua dureza muda chegar à minha garganta
até eu engolir & sentir o gosto do teu pau-tronco cheia de veias carne quente delicada por favor
Meu amo empurra meus ombros me olha bem nos olhos & me faz
debruçar sobre a mesa
por favor meu amo agarra minhas coxas e levanta minha bunda até a tua cintura
por favor meu amo tua mão áspera no meu pescoço palma da outra mão na minha bunda
por favor meu amo me levanta, meus pés apoiados em cadeiras, até meu cu sentir o hálito do teu cuspe e teu polegar girando
por favor meu amo manda eu dizer Por Favor Meu Amo Me Fode agora Por Favor
Meu amo lubrifica meu saco e bocapeluda com doces vaselinas
por favor meu amo unta teu caralho com cremes brancos
por favor meu amo encosta a ponta do teu pau nas pregas do buraco do meu eu
por favor meu amo enfia devagar, teus cotovelos envolvendo o meu peito
teus braços alisando o meu ventre, teus dedos tocam no meu pênis
por favor meu amo mete em mim um pouco, mais um pouco, mais um pouco
por favor meu amo enfia esse troço no meu cu bem fundo
& por favor meu amo meu faz rebolar para entrar a pica-tronco até o fim
até minhas nádegas aninharem tuas coxas, minhas costas arqueadas,
até eu ficar só solto no ar, tua espada enfiada latejando dentro de mim
por favor meu amo tira um pouco e lentamente esfrega em mim
por favor meu amo enterra fundo outra vez, e tira fora até a cabeça
por favor por favor meu amo me fode outra vez com o teu ser, me fode Por Favor
Meu amo enfia até machucar o meu macio o
Macio por favor meu amo faz amor com meu cu, dá corpo ao centro & me fode direitinho como uma garota
me abraça com carinho por favor meu amo eu me entrego a vós
& enterra no meu ventre o mesmo doce lenho quente
que dedilhaste em tua solidão em Denver ou no Brooklin ou fodeste uma donzela num estacionamento em Paris
por favor meu amo entra em mim com teu veículo, corpo de gotas de amor, suor de foda corpo de ternura, Me fode assim de quatro mais depressa
por favor meu amo me faz gemer sobre essa mesa
Gemer Ó meu amo por favor me fode assim
nesse teu ritmo de roça-enfia & tira-e-roça & enterra até o fim
até meu cu ficar mole cachorro sobre mesa ganindo de terror prazer de ser amado
Por favor meu amo me chama de cachorro, arrombando, me esculhamba
& fode mais violento, meus olhos escondidos por tuas mãos que agarram meu crânio
& enterra fundo com força brutal arrebentando a macieza úmida de peixe
& pulsa cinco segundos esguichando sêmen quente
& mais & mais, enfiando fundo enquanto eu grito o teu nome ah eu te amo
por favor meu Amo.


GINSBERG, Allen. A Queda da América. Tradução: Paulo Henriques Brito. Porto Alegre: L&PM, 1987. Coleção Olho da Rua, pg. 88-90.

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