quinta-feira, 30 de outubro de 2014



Com vinho, dizendo que é vinho, enche-me a taça,
Pois beber furtivamente não há quem me faça.
Pobre e maldito é o tempo em que sóbrio fico,
Mas quando trôpego pelo vinho torno-me rico.
Não escondas por temor o nome do bem-amado;
O prazer verdadeiro nunca deve ser ocultado.

Abu Nuwas (c.750-810)


Muitas vezes um belo rapaz de lábios rubros
me pergunta sorrindo: – qual a tua religião?
Eu lhe respondo: em teu amor eu encontro minha fé,
meu paraíso, meu Deus e minha eternidade.

Abu Ishaq Ibrahim Ibn Sahl al-Isra’ili al-Ishbili (1212-1251), ou Ibn Sahl de Sevilha


tradução: Paulo Azevedo Chaves
Gabriel Morcillo Raya


Nos banhos públicos


Nos banhos públicos, os mistérios ocultos pelas calças
São revelados.
Tudo se torna radiantemente claro.
Deleite os olhos!
Belas bundas, tóraxes perfeitos,
E ouvirás rapazes pios a se olhar e exclamar
"Deus é grande!”, “Louvado seja Deus!”
Ah, que palácios de deleites são os banhos públicos!
Ainda que os toalheiros, a entrar de vez em quando,
Um pouco estraguem o prazer.

NUWAS, Abu. Carousing with gazelles. Trad. Jaafar Abu Tarab. New York: iUniverse, 2005.

Oya (Oiá) é a divindade dos ventos, das tempestades e do rio Níger que, em iorubá, chama-se Odò Oya. Foi a primeira mulher de Xangô e...