segunda-feira, 21 de julho de 2014



Para Ti 


Foi para ti
que desfolhei a chuva
para ti soltei o perfume da terra
toquei no nada
e para ti foi tudo

Para ti criei todas as palavras
e todas me faltaram
no minuto em que talhei
o sabor do sempre

Para ti dei voz
às minhas mãos
abri os gomos do tempo
assaltei o mundo
e pensei que tudo estava em nós
nesse doce engano
de tudo sermos donos
sem nada termos

simplesmente porque era de noite
e não dormíamos
eu descia em teu peito
para me procurar
e antes que a escuridão
nos cingisse a cintura
ficávamos nos olhos
vivendo de um só
amando de uma só vida

Mia Couto

domingo, 20 de julho de 2014



Foi lá, pela metade do século XVI, que Thomas More escreveu Utopia.

Foi lá, naquele tempo agora remoto e quase esquecido, que Utopia deixou de ser um ideal a ser alcançado e passou a ser o local do inacessível, o depósito das justificativas para sermos o que somos. 

Foi lá, pela metade do século XVI, que a humanidade percebeu que estava fadada ao fracasso.

MP
Ricardo Bofill, La Muralla Roja, 1973, Calpe, Alicante, Spain

Dos acessos, extravios e disjunções
Que revelam, confundem e bloqueiam
Extensões infinitas de mim, em mim.

MP 


Só por hoje, sem arestas.

Luzes baças.
Penumbras mornas.
Sombras calmas.

Só por hoje, sfumato.

MP

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Encadernações



Os novos cadernos produzidos pela Bottega Pagani foram inspirados pelas ancestrais encadernações semíticas, pelos manuscritos coptas de Nag Hammadi e pelos manuscritos de Timbuktu.
Elaborados com atenção na estrutura e acabamento, os cadernos são exclusivos, confeccionados com papel e linha de algodão, capas em couro, utilizando outros elementos como madeira, osso, madrepérola e metal nos fechamentos e detalhes decorativos.

Oya (Oiá) é a divindade dos ventos, das tempestades e do rio Níger que, em iorubá, chama-se Odò Oya. Foi a primeira mulher de Xangô e...