terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

A Palavra

"E aí... Eu gosto de livro.
Porque eu acho o livro um objeto...
Gosto de pegar, gosto de ter perto de mim, gosto que durma comigo.
Gosto de botar junto do meu travesseiro, às vezes boto aqui no meu colo...
Livro é bonito."


Maria Bethânia

É por Ti que Vivo

Amo o teu túmido candor de astro
a tua pura integridade delicada
a tua permanente adolescência de segredo
a tua fragilidade acesa sempre altiva

Por ti eu sou a leve segurança
de um peito que pulsa e canta a sua chama
que se levanta e inclina ao teu hálito de pássaro
ou à chuva das tuas pétalas de prata

Se guardo algum tesouro não o prendo
porque quero oferecer-te a paz de um sonho aberto
que dure e flua nas tuas veias lentas
e seja um perfume ou um beijo um suspiro solar

Ofereço-te esta frágil flor esta pedra de chuva
para que sintas a verde frescura
de um pomar de brancas cortesias
porque é por ti que vivo é por ti que nasço
porque amo o ouro vivo do teu rosto

António Ramos Rosa, in 'O Teu Rosto'


Hotel de Dream, Edmund White

Veio para ler



Veio para ler. Estão abertos
dois, três livros: historiadores e poetas.
Mas, apenas leu dez minutos,
e deixou-os. No canapé
está meio adormecido. Pertence inteiramente aos livros -
mas tem vinte e três anos, e é muito bonito;
e, hoje à tarde, o amor passou
em sua carne ideal, em seus lábios.
Em sua carne, que é toda beleza,
o calor erótico passou;
sem pudor ridículo pela forma do deleite...

in: Poemas de K. Kaváfis.
Odysseus, 2006.


imagem: Antonio Canova. “Sleeping Endymion”. 1819
Fui


Nunca me contuve. Me di completamente y fui.
Me di a aquellos placeres que eran casi realidad
y estaban em mi mente;
me di a las vibrantes noches
y bebí um vino fuerte
como sólo los valientes beben del placer.

1905

In: Poemas Eróticos, Konstantinos Kaváfis
Trad.: Harold Alvarado Tenorio

Arquitrave Editores - 1982

imagem: Yannis Tsarouchis, 1957.
Quando em teu colo deitei a cabeça


Quando em teu colo deitei a cabeça, meu camarada,
a confissão que fiz eu reafirmo,
o que eu te disse e a céu aberto
eu reafirmo: sei bem que sou inquieto
e deixo os outros também assim,
eu sei que minhas palavras são armas
carregadas de perigo e de morte,
pois eu enfrento a paz e a segurança
e as leis mais enraizadas
para as desenraizar,
e por me haverem todos rejeitado
mais resoluto sou
do que jamais poderia chegar a ser
se todos me aceitassem,
eu não respeito e nunca respeitei
experiência, conveniência,
nem maiorias, nem o ridículo,
e a ameaça do que chamam de inferno
para mim nada é, ou muito pouco,
meu camarada querido: eu confesso
que o incitei a ir em frente comigo
e que ainda o incito sem a mínima ideia
de qual venha a ser o nosso destino
ou se vamos sair vitoriosos
ou totalmente sufocados e vencidos.

Walt Whitman


imagem: Walt Whitman por George Collins Cox, 1887.
"We Were Here" 



A deep and reflective look at the arrival and impact of AIDS in San Francisco and how individuals rose to the occasion during the first years of this unimaginable crisis.

Directors: David Weissman, Bill Weber
Cast (in credits order): Ed Wolf, Paul Boneberg, Daniel Goldstein, Guy Clark, Eileen Glutzer  
90 min  -  Documentary  -  September 2011 (USA)


Oya (Oiá) é a divindade dos ventos, das tempestades e do rio Níger que, em iorubá, chama-se Odò Oya. Foi a primeira mulher de Xangô e...