Sou filho do Sol.
Sou filho da Lua.
Sou filho de Oya Ygbalè.
Sou filho de Sàngó Ayrá.

O que meu Pai pensa, minha Mãe fala.
O que meu Pai deseja, minha Mãe canta.
O que meu Pai ordena, minha Mãe executa.
Quando meu Pai repousa, minha Mãe dança. 

Quando os dois se unem sobre a terra, sob o céu,
É quando nasço, cresço e floresço no espaço.
Para a ventura e para a desgraça,
Para a glória e para a ruína.

Cinjo minha cabeça com uma coroa de fogo,
Calço em meus pés uma sandália de ventania,
Na mão direita trago um machado duplo,
Na mão esquerda uma cimitarra.

No meu peito bate e vibra um curimbó de Amor.
No meu ventre gero a fome e a sede de Vida.
Se no meu olhar brilha a Paz,
Da minha boca cuspo a Ira. 

Existo nos propícios e nos contrários,
Estou nos direitos e nos avessos,
Viajo pelo meio da estrada,
Durmo nas esquinas.
  
Não tenho morada neste Mundo,
Meu Tempo é muito e é pouco.
Sobre a Terra, sob a Água,
Sou Fogo, sou Ar.

Sou filho de Sàngó Ayrá.
Sou filho de Oya Ygbalè.
Sou filho da Lua.
Sou filho do Sol.


15/11/2013.

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