Enquanto espero por você neste lugar, tento não ser visível.

Observo o movimento desordenado das pessoas.
Elas não sabem que observo. Elas não sabem que você vem me ver. Elas não sabem que vou lhe ver. Elas não sabem que espero.
Ignoram tudo, sempre, as pessoas.

Espero. São quatro horas da tarde.
No mezanino, onde estou, vejo, vigio a porta. Você chega e passa pelas pessoas que circulam ao seu redor.
Desejo que nada se mova, para que você possa vir ao meu encontro sem dificuldades.
Tudo para. O mundo para. Você para, no lobby.

Observo você que não sabe que o observo. Ainda não.
Seu olhar varre o primeiro piso com cuidado. Faz isso uma segunda vez.
Subitamente não olha mais. Você deixa de ver, procurar. Você ergue seu olhar em minha direção. Sabendo.
Agora você sabe que observo e espero. Agora, sabe.

Você sorri.
Todo o dia estala sob essa luz que é seu sorriso. As pessoas desaparecem, esmagadas sob essa luz.
Eu devolvo o sorriso. Estamos salvos do mundo.
Estamos imersos onde  nada mais importa. Estamos juntos. Você e eu.

Seu olhar e seu sorriso vêm para mim, trazem você para mim.

MP

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