-     Um único e terrível arrependimento?
-     Algumas vezes eu sempre penso que deveria ter tido um filho.
Esse filho que eu teria para viver o trasbordamento desse amor específico que é esse “Amor-para-Sempre”.
E, talvez, para aprender a temer a Morte, esse filho teria feito toda a diferença.

-     Quando?
-     Ah sim... Quase... Aos 22 anos...

-     Nunca me arrependi de não ter colocado alguém nesse mundo doido.
-     Há esse lado também. Sem dúvida. Compensa esse sentimento frustrante. 
Mas nunca saberei o quão bom poderia ser. Ou não, sob outros aspectos. 
Mas esse "Amor-para-Sempre" desperdiçado é decepcionante...

-     Tarde demais?
-     Para essa experiência? Sim. Sinto que é isso, sinto que é assim...
Eu gostaria de ter vivido isso tanto como filho quanto como pai.
Sinto que há esse amor latente em mim, imenso e inexplorado, impossível de ser concretizado, não mais. 
O que o torna um estorvo de excesso, "intransbordável".

-     Sem alternativas.
-     Limítrofe e único. Não há outra opção.
Porque os outros amores se esgotam, exaurem, mínguam... Transformam-se em outros, multiplicam-se, dissolvem-se...
"Esse", "esse" não. É disso que falo. É outro Amor.
E você sabe que é diferente em relação aos filhos.
Essa fonte permanece ativa sempre, e verte afeição o tempo todo, sem parar, a vida toda. É esse "Amor-sem-Fim", inesgotável, vertente.

-     Deve ser bom viver isso...
-     Eu gostaria de viver esse amor porque ele seria possível mesmo que fossemos diametralmente diferentes... Mesmo que ele me odiasse... Penso que esse amor não tem medida e é o limiar da loucura.

-     É isso.
-     É a loucura e é o assombro e é o “Amor-sem-Fim” por esse espanto que é esse Amor e que seria esse filho.

MP 
12/01/2012 


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