quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Amarílis - Ed Paiva

“Eu me deitava no piso hidráulico rosa e branco do corredor, 
no alto da escada.
Via as folhas de amarílis que meu avó cuidava, 
as fumaças brancas da fábrica de açúcar
e as nuvens esgarçadas no céu azul.”

Ed Paiva
06/02/2012

domingo, 12 de fevereiro de 2012

The Cold Song 


Cedar Lake Contemporary Ballet, New York City
Choreography by Benoit-Swan Pouffer.
Music: The Cold Song by Klaus Nomi.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Dia Voa


"Naturalmente, quando se fala de um amor, cê tem que levar isso em conta, você já não é mais aquele garoto, você é um senhor, um senhor de respeito, e tem que reconhecer a beleza de um amor maduro sem esquecer também o lado do possível ridículo de um..., do que há de risível nisso que você acha graça, começa achar graça de você mesmo, de você estar..., dos seus sentimentos juvenis que parece que não têm cabimento, mas tem, é essa possibilidade de chegar a esse ponto de assumir e de brincar com isso, assumir o teu tempo, assumir a idade que você tem e não ficar se desesperando por causa disso é... Enfim... Eu sempre desconfiava desde garotinho que eu ia ficar velho. Eu acho que ainda vou ficar velho. É a melhor coisa desse cara... [?]"
Chico Buarque
Quando o Amor Vacila 
Âmbar



Quando O Amor Vacila 

Eu sei que atrás deste universo de aparências, das diferenças todas, a esperança é preservada.
Nas xícaras sujas de ontem o café de cada manhã é servido.
Mas existe uma palavra que não suporto ouvir, e dela não me conformo.
Eu acredito em tudo, mas eu quero você agora.
Eu te amo pelas tuas faltas, pelo teu corpo marcado, pelas tuas cicatrizes, pelas tuas loucuras todas, minha vida.
Eu amo as tuas mãos, mesmo que por causa delas eu não saiba o que fazer das minhas.
Amo teu jogo triste.
As tuas roupas sujas é aqui em casa que eu lavo.
Eu amo a tua alegria.
Mesmo fora de si, eu te amo pela tua essência.
Até pelo que você podia ter sido, se a maré das circunstâncias não tivesse te banhado nas águas do equívoco.
Eu te amo nas horas infernais e na vida sem tempo, quando, sozinha, bordo mais uma toalha de fim de semana.
Eu te amo pelas crianças e futuras rugas.
Eu te amo pelas tuas ilusões perdidas e pelos teus sonhos inúteis.
Amo teu sistema de vida e morte.
Eu te amo pelo que se repete e que nunca é igual.
Eu te amo pelas tuas entradas, saídas e bandeiras.
Eu te amo desde os teus pés até o que te escapa.
Eu te amo de alma para alma.
E mais que as palavras, ainda que seja através delas que eu me defenda, quando digo que te amo mais que o silêncio dos momentos difíceis, quando o próprio amor vacila.


Ultimatum 
Álvaro de Campos


Assim é que se responde à altura, aos que estão nas alturas.

Assim é que se segue de cabeça erguida.
Assim é que se faz um cidadão do Mundo.
Filho de todas as Pátrias, Irmão de todos os Povos, Pai de todas as Gentes.


Meus agradecimentos à Fredericco Baggio.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012



Dá pra mim essa flor.

Dá pra mim essa flor rosa.
Dá pra mim essa flor úmida.
Dá pra mim essa flor escura.

Dá pra mim essa flor cheirosa.
Dá pra mim essa flor tímida.
Dá pra mim essa flor impura.

Dá essa flor pra eu lamber.
Dá essa flor pra eu comer.
Dá essa flor pra eu foder.

Dá essa flor de Genet.

MP
28/01/2012


-     Um único e terrível arrependimento?
-     Algumas vezes eu sempre penso que deveria ter tido um filho.
Esse filho que eu teria para viver o trasbordamento desse amor específico que é esse “Amor-para-Sempre”.
E, talvez, para aprender a temer a Morte, esse filho teria feito toda a diferença.

-     Quando?
-     Ah sim... Quase... Aos 22 anos...

-     Nunca me arrependi de não ter colocado alguém nesse mundo doido.
-     Há esse lado também. Sem dúvida. Compensa esse sentimento frustrante. 
Mas nunca saberei o quão bom poderia ser. Ou não, sob outros aspectos. 
Mas esse "Amor-para-Sempre" desperdiçado é decepcionante...

-     Tarde demais?
-     Para essa experiência? Sim. Sinto que é isso, sinto que é assim...
Eu gostaria de ter vivido isso tanto como filho quanto como pai.
Sinto que há esse amor latente em mim, imenso e inexplorado, impossível de ser concretizado, não mais. 
O que o torna um estorvo de excesso, "intransbordável".

-     Sem alternativas.
-     Limítrofe e único. Não há outra opção.
Porque os outros amores se esgotam, exaurem, mínguam... Transformam-se em outros, multiplicam-se, dissolvem-se...
"Esse", "esse" não. É disso que falo. É outro Amor.
E você sabe que é diferente em relação aos filhos.
Essa fonte permanece ativa sempre, e verte afeição o tempo todo, sem parar, a vida toda. É esse "Amor-sem-Fim", inesgotável, vertente.

-     Deve ser bom viver isso...
-     Eu gostaria de viver esse amor porque ele seria possível mesmo que fossemos diametralmente diferentes... Mesmo que ele me odiasse... Penso que esse amor não tem medida e é o limiar da loucura.

-     É isso.
-     É a loucura e é o assombro e é o “Amor-sem-Fim” por esse espanto que é esse Amor e que seria esse filho.

MP 
12/01/2012 


Oya (Oiá) é a divindade dos ventos, das tempestades e do rio Níger que, em iorubá, chama-se Odò Oya. Foi a primeira mulher de Xangô e...