domingo, 30 de outubro de 2011

Tristan und Isolde 
Richard Wagner




‎"A pior maneira de não viver um sentimento é negando-o.
Não vivendo sua impossibilidade até que se esgote a impossibilidade, o próprio sentimento ou a Vida trai-se a si mesmo, o sentimento e a Vida." 


MP
28/10/2011

sábado, 22 de outubro de 2011

Produção da Oficina
Cadernos



 

 

 

Caixas de Chá

 

 

 

Estojos para Cartas

 

 

 

 

Álbuns

 

 

 

  

 

Cadernos Especiais

 

 

 

 

sábado, 15 de outubro de 2011


Concerto pour la Fin d’um Amour 
Francis Lai



Com meus agradecimentos a Luiz Claudio Lins.
Esquecimento


Bandoneon: Mario Stefano Pietrodarchi
Piano: Enzo De Rosa.
Teatro di Corte della Reggia di Caserta
27/11/2007

-                   Nada.
-                   O que você quer?
-                   Já disse.
-                   Quer dormir?
-                   Não.
-                   Quer falar?
-                   Talvez...
-                   Sobre o que?
-                   Já não vale o esforço.
-                   Não é possível não fazer nada.
-                   Por quê?
-                   Porque é inútil.
-                   Sim, e o que tem? Quero só isso. Não querer mais. Não quero verbos, só substantivos. Uns poucos. Não quero nem querer isso, os olhos fechados e o  silêncio. A imobilidade. Essa penumbra. Seu corpo junto ao meu.
-                   Você quer que eu o ame?
-                   Não. Não mais do que já me ama quando apenas me olha e me vê. Dentro e apesar da vertigem à que esse olhar o conduz e você ainda insiste em ver. Você me ama o bastante.
-                   O que faço então?
-                   Nada. Você pode ficar ou ir, se quiser. Mas seria bom se ficasse.
-                   Você sabe que não posso.
-                   Sei. Sempre soube. Você não pode.
-                   Mas quero.
-                   Sim, você quer. Você fica.
-                   Até quando?
-                   Até que já não seja importante e você possa. Porque você precisa dessa interdição que o fixa ao mundo quando você sabe bem que o mundo não se importa.
-                   O que ou quem importa? Quem se importa?
-                   Ninguém, na verdade ninguém nem nada.
-                   O quê então? O quê importa?
-                   Isso que há aqui.
-                   E o que é isso?
-                   Isso é você e o seu desejo por mim e por todas as coisas. Sou eu, que não desejo. São nossos corpos estirados aqui sob essa tarde abandonada e esquecida pelos outros. Isso é essa tarde assim. Somos nós dois sem razão para sermos além de nós mesmo.
-                   Você se lembra? Lembra-se da primeira vez?
-                   Não. Foi há muitas gerações. E essa imensidão transborda. Assim, essa é a primeira vez sempre. Sempre a primeira vez. Como naquela outra tarde desta mesma estação no café da praça quando você passou por mim e me viu vendo você ir. E depois tomamos café. Eu com açúcar. Você puro. E fizemos sexo até você não poder mais ficar. Como hoje.
-                   Mas eu fiquei.
-                   Sim. Você tem ficado sempre desde então porque não podemos mais.     
-                   Você disse que não se lembrava.
-                   Não.
-                   O que você vê com seus olhos fechados?
-                   Vejo você como está agora, me vendo vê-lo por dentro, de dentro.
-                   Quando você faz assim eu poderia matá-lo.
-                   Eu sei. Já esperei por isso também. Algumas vezes. No início. Depois deixei de esperar por esse assassínio. Compreendi que você não me ama tanto. Não a esse ponto.    
-                   Mas poderia.
-                   Sim, ainda há essa possibilidade. Sempre há.

Estou chegando àquilo que eu chamo de “o estado perigoso”.

Esta imobilidade decorrente da certeza de que não vale o esforço.
Nada nem ninguém têm me feito perceber o contrário e eu mesmo já esgotei argumentos que justifiquem abrir os olhos pela manhã e inspirar o Vazio.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011


Súbito a palavra.

A que surge incauta.
A que é perigosa em mim.
A que é calamitosa em si mesma.

A sentir o que eu sinto de perigoso sentir.
A dissolver os ossos depois da pele, da carne.
A abranger todo o conteúdo interior e exterior.

A que eu procurava sem sabê-lo.
A que não deve dizer e diz.
A que sobre a qual velo.

"Desencantamento".

Hoje eu poderia chorar todo o aMAR de mim
EsvaziAr-me...
E SERtão.

MP
11/10/2011


domingo, 9 de outubro de 2011


O QUE HÁ


O que há em mim é sobretudo cansaço –
Não disto nem daquilo,
Nem se quer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo.
Cansaço.

A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto em alguém.
Essas coisas todas –
Essas e o que falta nelas eternamente - :
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço,
Íssimo, íssimo, íssimo,
Cansaço...

Álvaro de Campos ( 09-10-1934)

Oya (Oiá) é a divindade dos ventos, das tempestades e do rio Níger que, em iorubá, chama-se Odò Oya. Foi a primeira mulher de Xangô e...