terça-feira, 26 de julho de 2011

Verdades

Longe de esbarrar em qualquer possibilidade de encontro com qualquer verdade em mim... 
As perguntas realmente importantes ficam de fora e acaso fossem formuladas e respondidas, fariam corar as gentes, do Papa no Vaticano às prostitutas no porto em Singapura.


sexta-feira, 22 de julho de 2011


Despida de seus sete véus:
Fé, Esperança, Caridade, Paciência, Compaixão, Ilusão e  Amor;
a Realidade nua não passa de uma adaga cravada em nossa coluna cervical.
Não mata, mas nos torna tetraplégicos. 


quarta-feira, 20 de julho de 2011


Todos os dias lembram-me de você.
Todos os dias lembram-me que amo você.
Todos os dias lembram-me o porquê amo você.

Todos os dias lembram-me de você.
Todos os dias lembram-me que você não me ama.
Todos os dias lembram-me o porquê você não me ama.

Todos os dias.
Todos os dias eu vivo a dor de lembrar
e de lembrar de não me lembrar de você.   


terça-feira, 19 de julho de 2011

para Heberle Sales Babetto

Algumas vezes...
Perdemos-nos de nós mesmos...
Esquecemos-nos de quem somos...
Vagamos insaciáveis e vazios...

Algumas vezes...
Deparamos-nos com espelhos...
Nossos olhos nos miram, a nós mesmos,
Do avesso universal que somos...

Algumas vezes...
Nem sempre...
Plenos...

quinta-feira, 14 de julho de 2011


“...minhas alegrias são intensas minhas trstezas, absolutas...”
Clarice Lispector

Hoje não.
Hoje eu não quero brincar.
Hoje eu não quero o riso fácil.
Hoje eu não quero sonhos, fantasias.
Hoje eu não quero som algum que não seja o silêncio.

Hoje eu estou absolutamente triste.
Só isso.
 

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Senhora das Tempestades



Senhora das tempestades e dos mistérios originais 
quando tu chegas a terra treme do lado esquerdo 
trazes o terremoto à assombração as conjunções fatais 
e as vozes negras da noite Senhora do meu espanto e do meu medo. 

Senhora das marés vivas e das praias batidas pelo vento 
há uma lua do avesso quando chegas 
crepúsculos carregados de presságios e o lamento 
dos que morrem nos naufrágios Senhora das vozes negras. 

Senhora do vento norte com teu manto de sal e espuma 
nasce uma estrela cadente de chegares 
e há um poema escrito em páginas nenhuma 
quando caminhas sobre as águas Senhora dos sete mares. 

Conjugação de fogo e luz e no entanto eclipse 
trazes a linha magnética da minha vida Senhora da minha morte 
teu nome escreve-se na areia e é uma palavra que só Deus disse 
quando tu chegas começa a música Senhora do vento norte. 

Escreverei para ti o poema mais triste 
Senhora dos cabelos de alga onde se escondem as divindades 
quando me tocas há um país que não existe 
e um anjo posa-me nos ombros Senhora das Tempestades. 

Senhora do sol do sul com que me cegas 
a terra toda treme nos meus músculos 
consonância dissonância Senhora das vozes negras 
coroada de todos os crepúsculos. 

Senhora da vida que passa e do sentido trágico 
do rio das vogais Senhora da litúrgica 
sibilação das consoantes com seu absurdo mágico 
de que não fica senão a breve música. 

Senhora do poema e da oculta fórmula da escrita 
alquimia de sons Senhora do vento norte 
que trazes a palavra nunca dita 
Senhora da minha vida Senhora da minha morte. 

Senhora dos pés de cabra e dos parágrafos proibidos 
que te disfarças de metáfora e de soprar marítimo 
Senhora que me dóis em todos os sentidos 
como um ritmo só ritmo como um ritmo. 

Batem as sílabas da noite na oclusão das coronárias 
Senhora da circulação que mata e ressuscita 
trazes o mar a chuva as procelárias 
batem as sílabas da noite e és tu a voz que dita. 

Batem os sons os signos os sinais 
trazes a festa e a despedida Senhora dos instantes 
fica o sentido trágico do rio das vogais 
o mágico passar das consoantes. 

Senhora nua deitada sobre o branco 
com tua rosa dos ventos e teu cruzeiro do sul 
nascem faunos com tridentes no teu flanco 
Senhora de branco deitada no azul. 

Senhora das águas transbordantes no cais de súbito vazio 
Senhora dos navegantes com teu astrolábio e tua errância 
teu rosto de sereia à proa de um navio 
tudo em ti é partida tudo em ti é distância. 

Senhora da hora solitária do entardecer 
ninguém sabe se chegas como graça ou como estigma 
onde tu moras começa o acontecer 
tudo em ti é surpresa Senhora do grande enigma. 

Tudo em ti é perder Senhora quantas vezes 
Setembro te levou para as metrópoles excessivas 
batem as sílabas do tempo no rolar dos meses 
tudo em ti é retorno Senhora das marés vivas. 

Senhora do vento com teu cavalo cor de acaso 
tua ternura e teu chicote sobre a tristeza e a agonia 
galopas no meu sangue com teu cateter chamado Pégaso 
e vais de vaso em vaso Senhora da arritmia. 

Tudo em ti é magia e tensão extrema 
Senhora dos teoremas e dos relâmpagos marinhos 
batem as sílabas da noite no coração do poema 
Senhora das tempestades e dos líquidos caminhos. 

Tudo em ti é milagre Senhora da energia 
quando tu chegas a terra treme e dançam as divindades 
batem as sílabas da noite e tudo é uma alquimia 
ao som do nome que só Deus sabe Senhora das tempestades.

Manuel Alegre

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Como é que,
agarrados,  
os grãos de milho,
agarrados,  
conseguem viver,
agarrados,
ao sabugo verde,
agarrados,
tão intimamente,
agarrados,
uns aos outros,
agarrados,
esperando?


Impossível.
Os milhos cozinharam.
Hora da libertação.

MP
20/12/2010

Oya (Oiá) é a divindade dos ventos, das tempestades e do rio Níger que, em iorubá, chama-se Odò Oya. Foi a primeira mulher de Xangô e...