sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Alice’s Adventure under Ground

Projeto:
Livro de assinatura/álbum, capa dura, formato 32 x 22 cm.
Manuscritos de Lewis Carroll.
Ilustrações de Arthur Rackhan
Tratamento de imagens, diagramação, paginação e encadernação de 
Murilo Pagani.















segunda-feira, 17 de janeiro de 2011


Oração Celta

Que jamais, em tempo algum, o teu coração acalante ódio.

Que o canto da maturidade jamais asfixie a tua criança interior.
Que o teu sorriso seja sempre verdadeiro.
Que as perdas do teu caminho sejam sempre encaradas como lições de vida.
Que a música seja tua companheira de momentos secretos contigo mesmo.
Que os teus momentos de amor contenham a magia de tua alma eterna em cada beijo.
Que os teus olhos sejam dois sóis olhando a luz da vida em cada amanhecer.
Que cada dia seja um novo recomeço, onde tua alma dance na luz.
Que em cada passo teu fiquem marcas luminosas de tua passagem em cada coração.
Que em cada amigo o teu coração faça festa, que celebre o canto da amizade profunda que liga as almas afins.
Que em teus momentos de solidão e cansaço, esteja sempre presente em teu coração a lembrança de que tudo passa e se transforma, quando a alma é grande e generosa.
Que o teu coração voe contente nas asas da espiritualidade consciente, para que tu percebas a ternura invisível, tocando o centro do teu ser eterno.
Que um suave acalanto te acompanhe, na terra ou no espaço, e por onde quer que o imanente invisível leve o teu viver.
Que o teu coração sinta a presença secreta do inefável!
Que os teus pensamentos e os teus amores, o teu viver e a tua passagem pela vida, sejam sempre abençoados por aquele amor que ama sem nome. Aquele amor que não se explica só se sente.
Que esse amor seja o teu acalanto secreto, viajando eternamente no centro do teu ser.
Que este amor transforme os teus dramas em luz, a tua tristeza em celebração, e os teus passos cansados em alegres passos de dança renovadora.
Que jamais, em tempo algum, te esqueças da Presença que está em ti e em todos os seres.
Que o teu viver seja pleno de Paz e Luz!


quinta-feira, 13 de janeiro de 2011


Página do diário.


Madrugada. 02:26.

Minha irmã liga.
Ela está aflita.
Diz que seu pai está internado.
- Um AVC. É grave. Venha.

Eu já sabia.
Esperava por isso. Sabia que de repente ele sucumbiria à sua maldade essencial. Sabia que ele não sobreviveria à última etapa do seu ciclo nessa vida. Sabia que seria levado.

Você me pergunta se estou bem, se quero que vá comigo.
Digo que preciso fazer isso sozinho. Por mim e por ele.  
Você diz que entende, que se eu precisar...
Digo que telefonarei assim que puder.
Você me olha seu olhar inquieto.
Digo que não se preocupe, estarei bem. Deve ser assim... Eu e ele. Seremos eu e ele.
Digo que quero estar sozinho com ele quando ele morrer. Se estiver consciente, quero que me veja. Quero que ao morrer ele me veja como a sombra da sua consciência lembrando a ele que ele não será perdoado. Que para onde quer que vá não haverá descanso depois dessa existência calamitosa e doentia. Eu estarei livre e ele agrilhoado ao seu fim.
Você me olha seu olhar perplexo.
Depois você compreende.
Digo que telefonarei assim que puder.

Vou ao hospital para me certificar.
Ele está no CTI.
Eu e suas filhas esperamos o boletim médico.

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Durante três dias e três noites estive ao lado dele.
Ninguém mais teve acesso a esse homem que morria.
Nenhuma de suas filhas.
Nenhuma mulher.
As filhas eu barrei, impedi que viessem.
As mulheres não vieram, não o amaram nem o odiaram o suficiente.

No fim, me impus a ele.
Enquanto ele simulou o coma eu estive lá.

Três dias e três noites em que o olhei atentamente.
Três dias e três noites em que me olhei atentamente.
Nenhuma palavra nenhum gesto.
Apenas minha presença opressora sobre o peito daquele homem que vez ou outra arfava sufocado e não tinha forças para me expulsar para longe daquele quarto, para longe de sua vertigem em direção à morte.
Uma agonia silenciosa que testemunhei, também em silêncio.
Depois os aparelhos também silenciaram.
Estávamos livres.


Oya (Oiá) é a divindade dos ventos, das tempestades e do rio Níger que, em iorubá, chama-se Odò Oya. Foi a primeira mulher de Xangô e...