sábado, 31 de dezembro de 2011

Comecei o ano de 2011 com a palavra "Vertiginoso".
E foi mesmo!

Um ano de altos e baixos; ires e vires; presenças e ausências; perdas e ganhos; luzes e trevas; nascimentos e mortes; um sorvedouro. Muitas vezes foi impossível manter-me em equilíbrio no "olho do furacão".
Terminei o ano de 2011 com a palavra "Lancinante" deslizando sobre meu Corpo e pela minha Alma, atravessando minha Mente.
Mas esse ano acabou. Passado. História.

Ainda não encontrei a palavra para 2012. Ela virá, eu sei.
Por enquanto sou só o Desejo da Felicidade Simples e Justa para mim e os que Amo, diariamente.


Diariamente

Para calar a boca: rícino
Pra lavar a roupa: omo
Para viagem longa: jato
Para difíceis contas: calculadora

Para o pneu na lona: jacaré
Para a pantalona: nesga
Para pular a onda: litoral
Para lápis ter ponta: apontador

Para o Pará e o Amazonas: látex
Para parar na Pamplona: Assis
Para trazer à tona: homem-rã
Para a melhor azeitona: Ibéria

Para o presente da noiva: marzipã
Para Adidas: o Conga nacional
Para o outono, a folha: exclusão
Para embaixo da sombra: guarda-sol

Para todas as coisas: dicionário
Para que fiquem prontas: paciência
Para dormir a fronha: madrigal
Para brincar na gangorra: dois

Para fazer uma touca: bobs
Para beber uma coca: drops
Para ferver uma sopa: graus
Para a luz lá na roça: duzentos e vinte volts

Para vigias em ronda: café
Para limpar a lousa: apagador
Para o beijo da moça: paladar
Para uma voz muito rouca: hortelã

Para a cor roxa: ataúde
Para a galocha: Verlon
Para ser "mother": melancia
Para abrir a rosa: temporada

Para aumentar a vitrola: sábado
Para a cama de mola: hóspede
Para trancar bem a porta: cadeado
Para que serve a calota: Volkswagen

Para quem não acorda: balde
Para a letra torta: pauta
Para parecer mais nova: Avon
Para os dias de prova: amnésia

Para estourar pipoca: barulho
Para quem se afoga: isopor
Para levar na escola: condução
Para os dias de folga: namorado

Para o automóvel que capota: guincho
Para fechar uma aposta: paraninfo
Para quem se comporta: brinde
Para a mulher que aborta: repouso

Para saber a resposta: vide-o-verso
Para escolher a compota: Jundiaí
Para a menina que engorda: hipofagin
Para a comida das orcas: krill

Para o telefone que toca
Para a água lá na poça
Para a mesa que vai ser posta
Para você, o que você gosta:
Diariamente.

domingo, 30 de outubro de 2011

Tristan und Isolde 
Richard Wagner




‎"A pior maneira de não viver um sentimento é negando-o.
Não vivendo sua impossibilidade até que se esgote a impossibilidade, o próprio sentimento ou a Vida trai-se a si mesmo, o sentimento e a Vida." 


MP
28/10/2011

sábado, 22 de outubro de 2011

Produção da Oficina
Cadernos



 

 

 

Caixas de Chá

 

 

 

Estojos para Cartas

 

 

 

 

Álbuns

 

 

 

  

 

Cadernos Especiais

 

 

 

 

sábado, 15 de outubro de 2011


Concerto pour la Fin d’um Amour 
Francis Lai



Com meus agradecimentos a Luiz Claudio Lins.
Esquecimento


Bandoneon: Mario Stefano Pietrodarchi
Piano: Enzo De Rosa.
Teatro di Corte della Reggia di Caserta
27/11/2007

-                   Nada.
-                   O que você quer?
-                   Já disse.
-                   Quer dormir?
-                   Não.
-                   Quer falar?
-                   Talvez...
-                   Sobre o que?
-                   Já não vale o esforço.
-                   Não é possível não fazer nada.
-                   Por quê?
-                   Porque é inútil.
-                   Sim, e o que tem? Quero só isso. Não querer mais. Não quero verbos, só substantivos. Uns poucos. Não quero nem querer isso, os olhos fechados e o  silêncio. A imobilidade. Essa penumbra. Seu corpo junto ao meu.
-                   Você quer que eu o ame?
-                   Não. Não mais do que já me ama quando apenas me olha e me vê. Dentro e apesar da vertigem à que esse olhar o conduz e você ainda insiste em ver. Você me ama o bastante.
-                   O que faço então?
-                   Nada. Você pode ficar ou ir, se quiser. Mas seria bom se ficasse.
-                   Você sabe que não posso.
-                   Sei. Sempre soube. Você não pode.
-                   Mas quero.
-                   Sim, você quer. Você fica.
-                   Até quando?
-                   Até que já não seja importante e você possa. Porque você precisa dessa interdição que o fixa ao mundo quando você sabe bem que o mundo não se importa.
-                   O que ou quem importa? Quem se importa?
-                   Ninguém, na verdade ninguém nem nada.
-                   O quê então? O quê importa?
-                   Isso que há aqui.
-                   E o que é isso?
-                   Isso é você e o seu desejo por mim e por todas as coisas. Sou eu, que não desejo. São nossos corpos estirados aqui sob essa tarde abandonada e esquecida pelos outros. Isso é essa tarde assim. Somos nós dois sem razão para sermos além de nós mesmo.
-                   Você se lembra? Lembra-se da primeira vez?
-                   Não. Foi há muitas gerações. E essa imensidão transborda. Assim, essa é a primeira vez sempre. Sempre a primeira vez. Como naquela outra tarde desta mesma estação no café da praça quando você passou por mim e me viu vendo você ir. E depois tomamos café. Eu com açúcar. Você puro. E fizemos sexo até você não poder mais ficar. Como hoje.
-                   Mas eu fiquei.
-                   Sim. Você tem ficado sempre desde então porque não podemos mais.     
-                   Você disse que não se lembrava.
-                   Não.
-                   O que você vê com seus olhos fechados?
-                   Vejo você como está agora, me vendo vê-lo por dentro, de dentro.
-                   Quando você faz assim eu poderia matá-lo.
-                   Eu sei. Já esperei por isso também. Algumas vezes. No início. Depois deixei de esperar por esse assassínio. Compreendi que você não me ama tanto. Não a esse ponto.    
-                   Mas poderia.
-                   Sim, ainda há essa possibilidade. Sempre há.

Estou chegando àquilo que eu chamo de “o estado perigoso”.

Esta imobilidade decorrente da certeza de que não vale o esforço.
Nada nem ninguém têm me feito perceber o contrário e eu mesmo já esgotei argumentos que justifiquem abrir os olhos pela manhã e inspirar o Vazio.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011


Súbito a palavra.

A que surge incauta.
A que é perigosa em mim.
A que é calamitosa em si mesma.

A sentir o que eu sinto de perigoso sentir.
A dissolver os ossos depois da pele, da carne.
A abranger todo o conteúdo interior e exterior.

A que eu procurava sem sabê-lo.
A que não deve dizer e diz.
A que sobre a qual velo.

"Desencantamento".

Hoje eu poderia chorar todo o aMAR de mim
EsvaziAr-me...
E SERtão.

MP
11/10/2011


domingo, 9 de outubro de 2011


O QUE HÁ


O que há em mim é sobretudo cansaço –
Não disto nem daquilo,
Nem se quer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo.
Cansaço.

A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto em alguém.
Essas coisas todas –
Essas e o que falta nelas eternamente - :
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço,
Íssimo, íssimo, íssimo,
Cansaço...

Álvaro de Campos ( 09-10-1934)

domingo, 11 de setembro de 2011

terça-feira, 30 de agosto de 2011

É assim...
Acontece sem que eu perceba...
Sem explicar ou dar sentido, ou tê-lo...
Quando não estou olhando ou vendo o que está acontecendo...
E então, já não estou mais aqui ou ali...
Sim...
Estar onde não estou, mas ainda aqui...
Num intervalo em que tudo que há não é nada daquilo ou disso...
Não é sempre...
Algumas vezes apenas...
Mas bem frequente...
Não depende de uma vontade...
Vem numa palavra, num cheiro, numa cor...
E toma forma e corpo...
Você sabe?...
Pois é...
Como uma lembrança de algo que não se viveu...
E tem uns cheiros de ontem e anteontem ontem...
De uns tempos que não foram os meus...
De outras pessoas que não conheci e que conheço de não ver...
Mas de sentir...
Os cheiros que ficaram no meu nariz para sempre...
E depois tem também aquela música...
Sabe aquela música que não sei de onde que ouvi?...
Que lembra tanto daquele dia?...
Pois é...
Depois daquele dia não lembro mais...
As músicas...
E também as luzes e sombras...
Sabe quando você sonha sem lembrar?...
Depois lembra sem saber o que sonhou?...
Pois é...
É assim sem saber que eu fico lá e cá...
Uma sombra na luz opaca...
Depois passa...
Não, não sei se é bom...
Mas também não sei se não é ruim...
É uma coisa...
Que fica cheia e vazia no peito ao mesmo tempo...
Que também passa mais tarde quando vou dormir...
Nunca falei antes...
Tem gente que não sabe...
Tem gente que sabe e finge que não sabe...
Depois, pra que?...
É coisa minha cá de dentro de mim mesmo...
Não causa dano...
Quando não choro... 

quinta-feira, 11 de agosto de 2011


Melodia Sentimental 
Heitor Villa-Lobos / Dora Vasconcelos
Acorda, vem ver a lua
Que dorme na noite escura
Que surge tão bela e branca
Derramando doçura
Clara chama silente
Ardendo meu sonhar
As asas da noite que surgem
E correm no espaço profundo
Oh, doce amada, desperta
Vem dar teu calor ao luar
Quisera saber-te minha
Na hora serena e calma
A sombra confia ao vento
O limite da espera
Quando dentro da noite
Reclama o teu amor
Acorda, vem olhar a lua
Que brilha na noite escura
Querida, és linda e meiga
Sentir meu amor e sonhar

terça-feira, 26 de julho de 2011

Verdades

Longe de esbarrar em qualquer possibilidade de encontro com qualquer verdade em mim... 
As perguntas realmente importantes ficam de fora e acaso fossem formuladas e respondidas, fariam corar as gentes, do Papa no Vaticano às prostitutas no porto em Singapura.


sexta-feira, 22 de julho de 2011


Despida de seus sete véus:
Fé, Esperança, Caridade, Paciência, Compaixão, Ilusão e  Amor;
a Realidade nua não passa de uma adaga cravada em nossa coluna cervical.
Não mata, mas nos torna tetraplégicos. 


Oya (Oiá) é a divindade dos ventos, das tempestades e do rio Níger que, em iorubá, chama-se Odò Oya. Foi a primeira mulher de Xangô e...