terça-feira, 16 de novembro de 2010

Artesania do Papel em Minas Gerais
X Feira de Papel

Nos dias 26, 27 e 28 de novembro, sexta, sábado e domingo será realizada no Mercado Distrital do Cruzeiro a X Feira de Papel em Minas Gerais.

Este evento será um encontro de papeleiros, não só aqueles que fazem seu próprio papel artesanalmente, mas todos aqueles que fazem um artesanato cuidadoso e de beleza incontestável com papel industrial.

Um dos objetivos principais da Artesania do Papel sempre foi a divulgação de Minas Gerais como um estado que oferece uma produção diversa e de muita qualidade no setor papeleiro. Esta tarefa a Feira de Papel vem cumprindo, oferecendo ao público produtos de papelaria artesanal, papel reciclado, papel marmorizado, produtos de design, encadernações artesanais (álbuns, agendas, livros de assinatura), cartões, convites, cartonagem, objetos, origamis, esculturas, desenho e gravuras em papel artesanal, papier mâché, quillings, obras de arte e tudo que a imaginação pode criar com esta matéria prima.

Outro objetivo da Artesania do Papel é o de contribuir para o crescimento de todos os seus integrantes, na medida em que a exposição e comercialização dos produtos estimula a produção em termos de qualidade e criatividade, propiciando o desenvolvimento de cada um. Para isso reunimos vinte artesãos/stands fixos, que acreditam na Feira de papel e trabalham por ela, participando sempre e se comprometendo para o alto nível de sua realização. Não temos patrocínio e estes vinte artesãos são o suporte para que possamos comercializar nossos produtos duas vezes no ano, com cartazes, convites, divulgação e infraestrutura.

Quanto à montagem da X Feira de papel este ano, estamos inovando. Durante o último semestre nos reunimos em oficinas, desenhamos e planejamos nossos espaços e artesanalmente, tendo como suporte estrutural nossa matéria prima, utilizamos o papel na construção dos stands. Um trabalho de equipe que se revelou extremamente gratificante na troca de experiências e criatividade.

A X Feira de Papel contará com a participação de vinte expositores e espera a visita de 3.000 pessoas durante os três dias do evento. A abertura será na sexta-feira, dia 27 às 14h00min. No sábado seu funcionamento será de 09h00min as 20h00min e no domingo de 09h00min as 13h00min.

Ficha:
Artesania do Papel em Minas Gerais
X Feira de Papel

26- novembro -2010 – sexta-feira de 14 h as 20 h.
27- novembro -2010 – sábado de 09 h as 20 h.
28- novembro -2010 – domingo de 09h as 13h.
Mercado Distrital do Cruzeiro
Rua Ouro Fino, 452 ou Rua Opala s/no
Bairro Cruzeiro – Belo Horizonte – MG

Vera Queiroz
Artesania do Papel em Minas Gerais
(31) 3467-1013 // (31) 9984 1348







segunda-feira, 15 de novembro de 2010

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Therezinha

Eu quero que ela se chame Therezinha, essa mulher que almoça comigo todos os dias. Eu quero que ela seja nordestina das regiões áridas e que tenha conseguido sair da desolação por força de si mesma e de um destino para além da compreensão dela ou dos que deixou. Eu quero que ela tenha sofrido todas as dores possíveis antes de estar aqui, comigo, almoçando.

Eu almoço com Therezinha todos os dias. Eu almoço com ela e ela almoça com o filho. Ela não sabe que almoçamos juntos. Ela está a uma mesa de distância com o filho. Esse filho que beira os trinta anos e que é débil. Sempre à mesma mesa. Ela chega depois de mim. Serve o filho, serve-se, sentam-se e comem.

Eu observo.

Therezinha aparenta uns sessenta anos ou mais. Agora está bem cuidada, mas traz as marcas da dor que eu quero que ela tenha sofrido. Nos olhos, na boca hirta, na pele, nas mãos que ainda não pintaram com as manchas da idade a dor está lá. É vaidosa nas roupas com estampas de cores nordestinas. Faixa também colorida nos cabelos que não tinge e aparecem grisalhos. É enérgica nos movimentos, firme, endurecida, magra como um caniço, uma árvore retorcida da caatinga que não vai morrer nunca. Ela não vai morrer nunca, não antes de alimentar, amparar, zelar, velar e enterrar esse filho que é seu e de uma de suas dores. Esse filho que foi o único que ela quis e que quis quando já era tarde para tê-lo e ele veio sem ser dela, para ela. Para ela olhar para ele e se lembrar do homem que o fez nela e amá-lo por isso, o homem e o filho desse homem.

Therezinha come. Come como um trabalhador braçal. Come o seu peso com voracidade. Come com o apetite da fome ancestral que não a abandona. Ela abandonou a fome há muito, mas a fome não a abandonará, nunca. Essa fome a mantém viva para se alimentar por ela, através dela. Ela alimenta o filho que come pouco apesar de ter o dobro do seu tamanho. Ela pica a carne em seu prato e observa. Ela arruma a comida que ele esparrama para as bordas do prato, para além do prato. Ela recolhe o que lhe cai da boca frouxa. Ela come e cuida para que ele também coma e lamenta que ele coma tão pouco. Ela não entende como ele vive sem a fome que ela tem.

Therezinha fala. Fala entre as garfadas, entre a comida, entre o arroz, o feijão e a farinha. Fala coisas que desconheço de gente que conhece. Fala como se o filho a ouvisse, mas eu o vejo ajustando o volume do aparelho de audição que traz por trás da orelha esquerda. Quando ele não responde às suas perguntas com algum som gutural ela agita as mãos frenéticas entre o prato e a colher e a boca cheia dele. Ele se agita e resmunga. Ele levanta e vai ao banheiro.

Therezinha olha. Olha para o lugar onde o filho estava. Ela olha para o vazio que há ali e seu olhar vê. Enquanto ele está ausente ela não come, ela não fala, apenas vê sua ausência, seu olhar vaga, entre o espaço vago e o tempo suspenso. Ela vê e eu não sei o que ela vê. Ele, o filho, volta.

Todos os dias, almoçamos juntos.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Âmbar



Tá tudo aceso em mim
Tá tudo assim tão claro
Tá tudo brilhando em mim
Tudo ligado
Como se eu fosse um morro iluminado
Por um âmbar elétrico
Que vazasse dos prédios
E banhasse a Lagoa
Até São Conrado
E ganhasse as Canoas
Aqui do outro lado
Tudo plugado
Tudo me ardendo
Tá tudo assim queimando em mim
Como salva de fogos
Desde que sim eu vim
Morar nos seus olhos
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Oya (Oiá) é a divindade dos ventos, das tempestades e do rio Níger que, em iorubá, chama-se Odò Oya. Foi a primeira mulher de Xangô e...