Dona do Raio e do Vento

Doryval Caymmi

Vamos chamar o vento
Vamos chamar o vento
Vamos chamar o vento
Vamos chamar o vento

O raio de Iansã sou eu
Cegando o aço das armas de quem guerreia
E o vento de Iansã também sou eu
E Santa Bárbara é santa que me clareia

O raio de Iansã sou eu
Cegando o aço das armas de quem guerreia
E o vento de Iansã também sou eu
E Santa Bárbara é santa que me clareia

A minha voz é vento de maio
Cruzando os mares dos ares do chão
Meu olhar tem a força do raio
que vem de dentro do meu coração

O raio de Iansã sou eu
Cegando o aço das armas de quem guerreia
E o vento de Iansã também sou eu
E Santa Bárbara é santa que me clareia

Eu não conheço rajada de vento
mais poderosa que a minha paixão
Quando o amor relampeia aqui dentro,
vira um corisco esse meu coração

Eu sou a casa do raio e do vento
Por onde eu passo é zunido, é clarão
Porque Iansã desde o meu nascimento,
tornou-se a dona do meu coração

O raio de Iansã sou eu
Cegando o aço das armas de quem guerreia
E o vento de Iansã também sou eu
E Santa Bárbara é santa que me clareia

Eu sou a casa do raio e do vento
Por onde eu passo é zunido, é clarão
Porque Iansã desde o meu nascimento,
tornou-se a dona do meu coração

O raio de Iansã sou eu
E o vento de Iansã também sou eu
O raio de Iansã sou eu

Sem ela não se anda
Ela é a menina dos olhos de Oxum
Flecha que mira o Sol
Oiá de mim.

O raio de Iansã sou eu
E o vento de Iansã...

A Procelária

“É vista quando há vento e grande vaga
Ela faz o ninho no rolar da fúria
E voa firma e certa como bala.
As suas asas empresta à tempestade
Quando os leões do mar rugem nas grutas
Sobre os abismos passa e vai em frente
Ela não busca a rocha, o cabo, o cais
Mas faz da insegurança sua força
E do risco de morrer seu alimento
Por isso me parece imagem justa
Para quem vive e canta no mau tempo”

Sophia de Mello Breyner Andresen

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