sexta-feira, 30 de abril de 2010

Dona do Raio e do Vento

Doryval Caymmi

Vamos chamar o vento
Vamos chamar o vento
Vamos chamar o vento
Vamos chamar o vento

O raio de Iansã sou eu
Cegando o aço das armas de quem guerreia
E o vento de Iansã também sou eu
E Santa Bárbara é santa que me clareia

O raio de Iansã sou eu
Cegando o aço das armas de quem guerreia
E o vento de Iansã também sou eu
E Santa Bárbara é santa que me clareia

A minha voz é vento de maio
Cruzando os mares dos ares do chão
Meu olhar tem a força do raio
que vem de dentro do meu coração

O raio de Iansã sou eu
Cegando o aço das armas de quem guerreia
E o vento de Iansã também sou eu
E Santa Bárbara é santa que me clareia

Eu não conheço rajada de vento
mais poderosa que a minha paixão
Quando o amor relampeia aqui dentro,
vira um corisco esse meu coração

Eu sou a casa do raio e do vento
Por onde eu passo é zunido, é clarão
Porque Iansã desde o meu nascimento,
tornou-se a dona do meu coração

O raio de Iansã sou eu
Cegando o aço das armas de quem guerreia
E o vento de Iansã também sou eu
E Santa Bárbara é santa que me clareia

Eu sou a casa do raio e do vento
Por onde eu passo é zunido, é clarão
Porque Iansã desde o meu nascimento,
tornou-se a dona do meu coração

O raio de Iansã sou eu
E o vento de Iansã também sou eu
O raio de Iansã sou eu

Sem ela não se anda
Ela é a menina dos olhos de Oxum
Flecha que mira o Sol
Oiá de mim.

O raio de Iansã sou eu
E o vento de Iansã...

A Procelária

“É vista quando há vento e grande vaga
Ela faz o ninho no rolar da fúria
E voa firma e certa como bala.
As suas asas empresta à tempestade
Quando os leões do mar rugem nas grutas
Sobre os abismos passa e vai em frente
Ela não busca a rocha, o cabo, o cais
Mas faz da insegurança sua força
E do risco de morrer seu alimento
Por isso me parece imagem justa
Para quem vive e canta no mau tempo”

Sophia de Mello Breyner Andresen

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Melhor Amigo


Murilo diz (13:45):
oi
Alessandro diz (13:46):
oiiiiiii
Murilo diz (13:46):
tudo bem?
resolveu as confusões?
Alessandro diz (13:46):
sim
Murilo diz (13:47):
benza Deus
Alessandro diz (14:06):
mu??
Alessandro diz (14:20):
ahhhhhhhhhhhhh
Murilo diz (14:20):
está tudo muito estranho
vamos ver o que o destino me reserva
Alessandro diz (14:20):
aiaiaiaia
Murilo diz (14:21):
nunca consegui seguir planos
as coisas sempre foram acontecendo
vamos ver o que vem agora
todas as vezes que planejei deu tudo errado
Murilo diz (14:22):
e quando menos esperava estava casado, depois separado
com grana para separar
tudo assim sem plano
obra de sabe-se lá quem
vou mexendo com meus pauzinhos e vamos ver onde chego
Alessandro diz (14:23):
kkkkkkkkkkkk
que bom
Alessandro diz (14:24):
acho q o negócio é não fazer planos
Alessandro diz (14:28):
vai dar tudo certo
Murilo diz (14:28):
estou contando com isso
Alessandro diz (14:28):
sabemos que a correnteza é forte
Alessandro diz (14:29):
mas a cada dia nos tornamos melhores nadadores
Murilo diz (14:29):
pois é
Alessandro diz (14:29):
sim
acho q somos muito parecidos
Alessandro diz (14:30):
queremos viver
viver com alguém
com amigos
Alessandro diz (14:30):
intensamente
Murilo diz (14:30):
estamos em mutirão
Alessandro diz (14:30):
nos doamos sem nenhum tipo de recibo
vamos até o fundo
quebramos a cara
Murilo diz (14:30):
essa é a questão
Alessandro diz (14:30):
choramos compulsivamente
Murilo diz (14:30):
envolvimento integral
Alessandro diz (14:30):
amamos tudo
todos
Alessandro diz (14:31):
nos acabamos
Murilo diz (14:31):
e vamos em frente
Alessandro diz (14:31):
somos um grande e gostoso travesseiro
mas estamos invariavelmente sós
pq??
essa é a questão
nos doamos
nos levam tudo
menos nossa integridade né
Murilo diz (14:32):
outro dia li uma frase no twitter assim:
"Me doei tanto que já nem sei quem sou"
Alessandro diz (14:32):
caraca
é por ai
Murilo diz (14:32):
fiquei chocado
Murilo diz (14:33):
não quero me perder de mim
Alessandro diz (14:33):
é a pior de todas as distâncias
quando vc se separa de vc mesmo
Murilo diz (14:34):
ultimamente fico pensando que a cada segundo tem um felizardo sofrendo uma parada cardíaca fulminante ou um derrame fatal
em algum lugar e me pergunto porque não tenho essa sorte
Alessandro diz (14:34):
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Murilo diz (14:34):
estou meio cansado
Alessandro diz (14:34):
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Murilo diz (14:34):
nada me prende aqui nesse planeta
Alessandro diz (14:34):
agora dei uma boa gargalhada
foi muito sonora viu
Murilo diz (14:35):
vi
Alessandro diz (14:35):
vc que pensa
temos raízes
a vida é assim
cigana
Alessandro diz (14:36):
não temos teto
ninguém é de ninguém
Murilo diz (14:36):
sei disso
Alessandro diz (14:36):
todo mundo passa
uns nascem
outros morrem
Murilo diz (14:36):
Sabe, estive fazendo um balanço geral da minha vida
Alessandro diz (14:36):
de velhice, doença...
e qual foi??
tem em gráficos??
Murilo diz (14:37):
sabe uma vidinha medíocre?
Alessandro diz (14:37):
muito medíocre?
Murilo diz (14:37):
fiz gráficos e infográficos
desenhei tabelas
muito
Alessandro diz (14:37):
talvez tenha sido mesmo
afinal
vc nunca amou
nem foi amado
não ensinou nada pra ninguém
nunca fez alguém se sentir melhor
a dar um sorriso
Alessandro diz (14:38):
é vc pode mesmo ser um desgraçado
vc nunca me deixou bem
nunca me disse uma palavra amiga
vc nunca pintou um quadro lindo
vc nunca regou uma porra de uma planta
vc nunca gozou gostoso
nem nunca chorou de felicidade
Alessandro diz (14:39):
vc não teve infância
nunca jogou atári
nunca nem perdeu uma perna
só não tem cabelo
isso é muito triste
ah
vai tomar no seu cu
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Murilo diz (14:39):
eu amo vc
Alessandro diz (14:40):
eu tb te amo
seu lokooooooooooooooooooo
olha
altos e baixos
não pera a ternura nuncaaaaaaaaa
Perca
nunca
Alessandro diz (14:41):
e vc vem agora me dizer q sua vida foi medíocre?
quer dizer q se vc tivesse tido muita grana sua vida não seria medíocre?
olha
não sou noveleiro
mas no final da novela das 8
rola uns depoimentos
caraca
Alessandro diz (14:42):
muita desgraça junta
mais
as superações
são fantásticas
todos nós podemos
somos capazes
não precisamos dos bobos
das menininhas mimadas
Alessandro diz (14:43):
dos ex que não sabem o q tiveram de bom
não mesmo
e vc é um campeão cara
bonito
lindo
saudável
por dentro e por fora
inteligente
talentoso
capaz pra caramba
Alessandro diz (14:44):
não se deixe abalar por esta fase baixa
marés
e o que é estar por cima??
nem sei
e o q é estar por baixo?
pow
isso mesmo que não quero saber
Alessandro diz (14:45):
é preciso saber viver
o que eu quero é um milhão de amigos
pra bem forte poder cantar
e vamo q vamo
hj minha irmã me disse
Alessandro diz (14:46):
coloca uma música que te faça bem
coloquei na hora
celebration da Madonna
até o talo
porra
energia pura
oi
tá vivo??
Murilo diz (14:46):
oi
Murilo diz (14:47):
depois disso
tenho que estar
Alessandro diz (14:47):
kkkkkkkkkkkkkkk
aew
Murilo diz (14:47):
não posso decepcionar meu fã
Alessandro diz (14:47):
assim que gosto do Murilão
kkkkkkkkkkkkkkkkk
não mesmo
Murilo diz (14:47):
putz
que música eu vou ouvir?
Alessandro diz (14:47):
oh
Alessandro diz (14:48):
chorei aqui viu filho da mãe
Murilo diz (14:48):
eu também
Alessandro diz (14:48):
caraca
Murilo diz (14:48):
tu é foda
Alessandro diz (14:48):
muito bom
lavei a alma
adoroooooooooooooooooo
Murilo diz (14:48):
a minha ainda tá no tanque
Alessandro diz (14:48):
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Murilo diz (14:48):
rsrsrsrsrsrsrsrs
Alessandro diz (14:48):
compra uma máquina pow
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Murilo diz (14:48):
rsrsrsrsrsrsrsrs
Murilo diz (14:49):
valeu
tem dia que a vida é uma dureza só
Alessandro diz (14:49):
agora vou na Antonoff fazer um orçamento para a minha aluna de Sábado
Murilo diz (14:49):
mas aí aparece um Alessandro
e as coisas vão ficando mais felizes
Alessandro diz (14:49):
faço assim na faculdade
Alessandro diz (14:50):
qdo o professor fala: tá faltando muito
eu digo:
é
tive que ir na praia
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Murilo diz (14:50):
rsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrs
Alessandro diz (14:50):
ou qdo uma cliente chata quer horário
digo
Murilo diz (14:50):
acho que eu vou na praia hoje
Alessandro diz (14:50):
só no próx. ano amiga
sorry
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
mesmo estando individado
olha
Alessandro diz (14:51):
não faço nada mais que me machuque
nadaaaaaaaaaa
vai sim
Murilo diz (14:51):
vc ta coberto de razão
Alessandro diz (14:51):
toma um banho de mar
tb farei isso
só quero pessoas boas do meu lado
Alessandro diz (14:52):
rico ou pobre
até prefiro os pobres
tem mais a ver comigo sabe
Murilo diz (14:52):
ufa
Murilo diz (14:53):
cara, vai fazer seu orçamento que também tenho que me preparar para o final de semana
obrigado por estar aí comigo
rsrsrsrsrs
Alessandro diz (14:53):
sempre
olha só
uma cliente ligou agora
Alessandro diz (14:54):
Ale, vc tá onde?? è pq to aqui no V., vc pode vir fazer minha sobrancelha?
ela pensa q eu estou a disposição coitada
ai eu falei: não posso querida
Alessandro diz (14:55):
que tal amanhã nos tais horários??
ela: a amnhã eu vou sair com a minha mãe
eu te ligo então
eu falei:
faça isso amore
agora na semana passada
Alessandro diz (14:56):
havíamos marcado na casa dela 10 da manhã
ela me ligou em cima da hora desmarcando
pq um bofe ligou chamando pra trepar
Murilo diz (14:56):
rsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrs
Alessandro diz (14:56):
vc acha mesmo q eu vou dar ibope pra uma pessoinha dessas??
coitada
Alessandro diz (14:57):
se quiser fazer sobrancelha com Alessandro Borges tem q marcar com antecedência
pq não estou a toa
meu tempo vale ouro
nem q seja pra bater uma boa punheta
entendeu??
Murilo diz (14:57):
rsrsrsrsrsrsrsrsrsrs
Alessandro diz (14:57):
that´s it
Murilo diz (14:57):
vc tem toda razão
Murilo diz (14:58):
vamos à luta
Alessandro diz (14:58):
bjão
Murilo diz (14:58):
mais uma
Alessandro diz (14:58):
fala
Murilo diz (14:58):
beijão pra vc também
fica com Deus
Murilo diz (14:59):
amo vc
Alessandro diz (14:59):
eu sei disso
se cuida
Murilo diz (14:59):
cuido sim
vc também se cuida
Alessandro diz (14:59):
sim sim

Conversa no MSN

terça-feira, 27 de abril de 2010

Cartonagem


Registro, passo a passo, da montagem de um estojo forrado com tecido.
Encomendado para acondicionar uma coleção de "Santinhos" e orações, seu formato final é de 15,0cm x 20,0cm x 4,0cm.

Murilo Pagani
Artesania do Papel em Minas Gerais

IX Feira de Papel

Nos dias 01 e 02 de maio de 2010 a “Artesania do Papel em Minas Gerais” realizará a sua IX Feira de Papel. Sob a organização da mestra papeleira Vera Queiroz estarão reunidos artesãos do papel e seus usuários, mostrando seus diversos artigos manufaturados a partir dessa matéria.
Vera Queiroz nos conta que “a Artesania do papel começou no Mercado Distrital de Santa Tereza em dezembro de 2003. A II Feira aconteceu na Casa do Conde, em outubro de 2004. Depois voltou para o mercado de Santa Tereza e a partir de 2005, vem sendo realizada no Mercado Distrital do Cruzeiro apresentando o que há de melhor no artesanato de papel.”.
Com horário programado entre 09 e 19 horas, a IX Feira de Papel apresentará produtos como: papel artesanal (folhas), cartões, convites, encadernações variadas, origami, marcenaria em papel, quiling, “papier mâché”, cartonagem...
Lá estarei expondo algo da minha produção como encadernador e conto com a visita de vocês.


Artesania do Papel em Minas Gerais – IX Feira de Papel

Dias 01 e 02/Maio/2010, sábado e domingo, entre 9 e 19 horas.
Local: Mercado Distrital do Cruzeiro
Rua Ouro Fino, 452 o Rua Opala s/no.
Cruzeiro – Belo Horizonte - MG

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Sem doutorado? Então fora!

19 de Abril de 2010 - por Alexandre Barros

A crise está produzindo alguns efeitos magníficos, que ninguém planejou. Belezas do capitalismo: milhões de pessoas fazendo escolhas independentes e produzindo efeitos que ninguém previu.
Muitos profissionais que perdem empregos nos Estados Unidos estão virando professores. Isso mesmo. Contadores vão para as escolas ensinar, depois de muitos anos com a mão na massa. Projetistas vão para escolas e faculdades ensinar desenho industrial e por aí afora.
Se perdessem os empregos, dois meninos maluquinhos que resolveram cair na vida, em vez de virar acadêmicos, poderiam ir dar aulas. Muitas universidades receberiam Bill Gates (Microsoft) e Steven Jobs (Apple) de braços abertos. Acredito que haveria uma enorme disputa entre as melhores universidades para ver quem conseguiria levar qual.
No Brasil, como professores, bateriam com o nariz na porta.
Como nenhum dos dois tem mestrado ou doutorado, não valem nada para qualquer universidade brasileira. O Ministério da Educação não os reconhece. Um profissional fantástico sem mestrado ou doutorado é proibitivo para uma universidade brasileira.
Cirurgiões que foram dos bancos da escola para as salas de operação não poderiam lecionar em faculdades. Sua experiência avançadíssima vale zero.
Não passaram pelos rituais de iniciação: gastar tempo escrevendo dissertações. Estão fora. Graças ao MEC, no Brasil, vigora o "quem sabe faz e quem não sabe ensina."
Simon Schwartzman, especialista em educação superior e pós-graduada, disse numa entrevista (Veja 2059, 7 de maio de 2008): "O professor [brasileiro] participa de um congresso ou publica um artigo numa revista que ninguém lê." Em outras palavras, os professores brasileiros passam a vida fazendo imensos esforços para ter impacto zero no desenvolvimento da ciência, da tecnologia e das políticas públicas.
Parece anedota, mas não é. Criou-se um clube de amigos que publicam em revistas nas quais, não raro, o intervalo entre o término de uma pesquisa e sua publicação pode ser de até 4 anos. Só essas revistas são reconhecidas. Outras mídias (jornais, revistas, TV) de nada valem, ainda que possam ser lidas por milhões de pessoas. Isso em tempos de Internet.
Nikola Tesla (o inventor da geração de corrente alternada que move o mundo) não teria emprego em nenhuma universidade brasileira. Dificilmente conseguiriam publicar um artigo em revista Qualis (esse é o codinome das revistas que o MEC reconhece).
Na Universidade de Chicago, a maior ganhadora de prêmios Nobel (79 ao todo, 27 em Física e 25 em economia), é possível entrar sem jamais ter ido para a escola, qualquer escola. Lá, o principal critério para contratação de um professor de economia é o potencial para um prêmio Nobel. A universidade sabe que cada prêmio Nobel é um pote de mel para atrair alunos, doações e outros bons professores.
Recentemente, na feira de ciências de uma escola secundária na área de Boston, em Massachussets, um adolescente de 16 anos apresentou um trabalho da maior relevância para a saúde pública no Brasil: descobriu que o vírus da hepatite C e o vírus da dengue são primos próximos. Este atalho pode economizar muitos anos na descoberta da cura da dengue (sabendo que os vírus são primos próximos podem-se usar muitos conhecimentos já avançadíssimos sobre o vírus da hepatite C, para a dengue).
O caminho até a cura da dengue ainda é longo, mas será muito mais curto do que sem a descoberta.
No Brasil, ninguém o levaria a sério porque ele não tem idade nem para poder entrar para uma faculdade, como, de resto, não levaram o Portellinha, sobre quem comentei n’O Estadão em "Deixem o Portellinha estudar em paz," (O Estado de São Paulo, 12 de março de 2008, pág 2). Apesar de aprovado no vestibular de direito com sete anos de idade, Portellinha foi impedido, pelo lobby da OAB e pela lei, de entrar para a universidade.
O interesse dos burocratecas do MEC está em formalidades e papelório.
O currículo oficial do CNPq registra minúcias da vida de professores que me lembram o que meu amigo Lorenzo Meyer, historiador mexicano, chamava de ridiculum vitae.
Qualquer atividade acadêmica exige um papel assinado por alguém atestando que aquilo é verdade. Vou além de Simon: o pouco tempo que sobra de tentar publicar artigos que não serão lidos por ninguém é consumido correndo atrás de papelório inútil.
Tomara que Bill Gates e Steven Jobs não percam seus empregos, pois poderemos continuar a curtir nossos produtos Microsoft e nossos Macs e iPhones.
No Brasil, Bill Gates e Steven Jobs não teriam tempo para inventar nada. Perderiam seu tempo correndo atrás dos certificados que os legitimaria perante a burritzia nacional.
As invenções, ora, as invenções... são coisas de gringo... Aqui basta uma política industrial para dar dinheiro aos amigos do rei.
Quando a lei e os oligopólios de proteção profissional impedem o progresso de alguém porque não passou pelos rituais de iniciação, fica mais fácil entender porque o Brasil não tem nenhum prêmio Nobel, em nenhum campo.

Alexandre Barros é cientista político (PhD, University of Chicago)
e diretor-gerente da Early Warning: Políticas Públicas e Risco Político (Brasília - DF),
 além de colaborador regular d’O Estado de São Paulo.
Ele pode ser contactado em alex@eaw.com.br.

sábado, 24 de abril de 2010


Adriana é uma moça de quem gosto muito. Gosto muito e muito, desde quando a vi pela primeira vez. Foi empatia imediata. Primeiro por causa do sorriso dela, um sorriso sem limites, daqueles que duram depois de terem acabado; segundo porque o brilho nos olhos dela é um farol em noite de tempestade, promessa de refúgio em terra firme, chocolate com canela, manta sobre os pés, colo em frente à lareira; e terceiro porque a luz dela é “Orange”, não laranja, porque “Orange” (com maiúscula mesmo) define melhor essa cor redonda como a fruta e luminosa como o Sol, cítrica, doce, fresca, intensa, pura, tudo a um só tempo. Então resolvi que gosto muito dela. Ela é casada, mãe e recentemente avó. Uma avó “Orange” como nunca vi outra em toda minha vida.
Adriana tem um blog que se chama Samba no Varal . Lê-lo é reencontrar Adriana e quase ouvir sua voz, é ver sua cor reverberando na atmosfera. Recomendo para quem quer ficar leve ou recompor-se de um dia de doação de sangue.
Foi na segunda semana de abril, em que eu estava precisando muito me recompor de grande perda de sangue, que me deparei com o seguinte texto:

14/04/2010

CREPÚSCULO

Paramos no meio do caminho:
Quase amigos.
Quase irmãos.
Quase pais.
Quase sãos.
Quase aprendizes.
Quase professores.
Quase amantes.
Quase amores...

Escrito por Adriana às 14h10min

Fiquei tão atônito que não tive forças nem para fazer um pequeno comentário.
Não sei se Eu ou Ela (num dia de usar cor complementar) ou ambos estávamos “blue” naquela semana, ou se foi só uma impressão minha, mas o fato é que não consegui me descolar do texto e passei os últimos dez dias meditando muito sobre ele.
Adriana veja como você me intriga quando fica "blue".

A questão do “Quase”

Toda a Vida é um “quase”.
O mundo é um “quase”.
Somos todos uns “quase”.
“Quase” qualquer coisa.
A madrugada é “quase” manhã, a manhã é “quase” dia, o meio dia é “quase” tarde, a tarde é “quase” crepúsculo, o crepúsculo é “quase” noite, a meia noite é “quase” madrugada...
O botão é “quase” flor, a flor é “quase” fruto, o fruto é “quase” semente, a semente é “quase” botão...
A lagarta é “quase” casulo, o casulo é “quase” borboleta...
Tudo que nos rodeia está sempre num estado de latência infinita. Tudo é um vir a ser. Nada está pronto ou é definitivo. Oscilamos à beira de... Sempre. Então, e apenas nesse caso, o “quase” é conclusivo.
Aí reside nossa angústia e mortificação. Não aceitamos este estado de latência. Queremos o permanente e a permanência está fora do nosso alcance. Hoje, nem a morte é o ponto final que chegamos há imaginar um dia, chamamos de passagem, transmutação.
Esquecemos-nos de que a madrugada em si mesma é um espetáculo porque estamos ansiosos pelo dia. Esquecemos-nos de apreciar o momento da flor em cor e em perfume porque temos fome do fruto que virá – no seu tempo. Matamos a lagarta porque ela devora nosso jardim antes de ser casulo e depois borboleta voando sobre nossas flores.
Vivemos o desejo de, esquecendo o desejo em si.
Vivemos o sonho de, esquecendo o sonho em si.
Vivemos a promessa de, esquecendo a promessa em si.
O “Quase” é o Presente de que prescindimos para vivermos o Futuro que um dia será outro “Quase”. Nossas vidas são sucessões de “quases”.
Algumas vezes ocorrem inversões estranhas e acontece de a luz do crepúsculo ser “quase” a luz da aurora ou vice-versa e ficamos confusos. “Quase” confusos.

Murilo Pagani - 24/04/2010

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Chimamanda Adichie

O perigo de uma única história.

Em subtitles selecione o idioma preferido para legenda
Hoje também celebramos os 394 anos de passagem de Willian Shakespeare que entre outras coisas (coisinhas tolas) nos deixou essa mensagem:


Um dia haveremos de aprender, com o auxílio de São Jorge!

São Jorge nasceu na Capadócia no ano de 280. No final do século III, o cristão Jorge trocou a Capadócia, na Turquia, pela Palestina, vindo a ingressar no exército de Diocleciano. Jorge logo se destacou, sendo elevado a conde e depois a tribuno militar. Tudo ia bem, até que as perseguições aos seguidores de Cristo reiniciaram. O rapaz não quis negar sua fé, fazendo com que Diocleciano se sentisse traído. O imperador, então, condenou-o às mais terríveis torturas. E Jorge conseguiu vencer a todas elas. Suportando uma dor atrás da outra, o filho da Capadócia suportou as lanças dos soldados, permaneceu firme sob o peso de uma imensa pedra, obteve a cicatrização imediata das navalhadas que recebeu e resistiu ao calor de uma fornalha de cal. A cada vitória sobre as torturas, Jorge ia convertendo mais e mais soldados. O imperador, contrariado, chamou um mago para acabar com a força de Jorge. O santo tomou duas poções e, mesmo assim, manteve-se firme e vivo. O feiticeiro juntou-se à lista dos convertidos, assim como a própria esposa do imperador. Estas duas últimas "traições" levaram Diocleciano a mandar degolar o ex-soldado em 23 de abril de 303. Conta-se ainda que o bravo militar matou um dragão para salvar a filha do rei de Selena e todos os habitantes desta cidade Líbia. Lenda ou realidade, o fato é que São Jorge nos lembra de que todos nós temos algum desafio a vencer nesta vida, seja o nosso orgulho, o nosso egoísmo ou mesmo problemas que nos afetam no dia-a-dia. Como ele, devemos permanecer fortes e corajosos, independentes dos desafios que a vida nos traga. Assim, como Jorge, havemos de vencer.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Perdão e Esquecimento

Palavra nova, datada do século XIII, perdão significa: “remissão de pena ou de ofensa ou de dívida; desculpa; indulto; ato pelo qual uma pessoa é desobrigada de cumprir o que era de seu dever ou obrigação por quem competia exigi-lo.”.

Dizem através das chamadas Sagradas Escrituras, que teria sido empregada pela primeira vez por Cristo no ensinamento da oração Pai Nosso onde, dirigindo-se ao Pai dizia: “... e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores;...” (Matheus, 6 - v.12) e uma segunda vez durante o espólio aos pés da cruz dirigindo-se também ao Pai com: “Pae, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem.” (Lucas, 23 - v.34) Como teria Cristo usado uma palavra inventada no século XIII é o que me pergunto. Como me pergunto também porque o “perdoa-nos as nossas dívidas” foi substituído por “perdoa-nos as nossas ofensas”. Seria porque perdoar ofensas onera menos aos cofres da Igreja que perdoar dívidas? Bem, são decisões do Concílio de Trento que não vêm ao caso agora.

O fato é que a palavra perdão nascida expressão latina exclamativa na Idade Média (perdonet 'que ele perdoe') substantivou-se e agora anda fácil pelas bocas, pelas mensagens virtuais propagadas em tons proféticos, professorais, existenciais. Virou moda, estilo de sabedoria que nos aproxima de Deus, atitude beata que nos eleva em amor acima dos desgraçados perdoados. Perdão é chave que abre as portas para uma infinita paz interior, desde que bem azeitada com o Esquecimento (palavra também novíssima com datação no séc. XIV – mais uma medieval). Sim, porque Perdão sem Esquecimento não conta. Obliterar-se, não por influência do mal de Alzheimer, é santo e milagroso remédio para a alma e auxiliar inequívoco do Perdão.

Ponho-me em alerta! Quando expandimos demais o conceito do Perdão e a amnésia por ele sugerida corremos sérios perigos. No âmbito do universal perdoamos e esquecemos os desvios das Igrejas através da história, perdoamos e esquecemos os desmandos políticos, perdoamos e esquecemos as atrocidades cometidas pela ânsia de poder, perdoamos e esquecemos a miséria infligida aos menos favorecidos pela ganância dos abastados; nem precisamos exemplificar cada um deles. Na esfera mais limitada dos relacionamentos interpessoais perdoamos e esquecemos o desamor, o ódio (que é diferente do desamor), a incompreensão, a negligência, a tortura psicológica, as anomalias de caráter e outros congêneres.

Penso que o Perdão humilha quem pede, glorifica quem dá, ambos aos extremos. Sobre o abismo aberto entre quem é perdoado e quem perdoa estende-se uma ponte de neblina cuja ilusão desfaz-se sob um mínimo raio de lucidez. O Perdão impede a compreensão das lições profundas que os erros nos dão porque o Esquecimento não ensina, não cumula Sabedoria. De um lado o perdoado não é confrontado, ficando isento da responsabilidade adquirida por seus atos; de outro, o perdoador cínico infla seu ego no orgulho da magnanimidade ou amnésico dispõe-se ignorante, quando não estúpido, para a Vida.

Não me falha a memória, Cristo suplica ao Pai o perdão que ele não ousou dar, ciente de que ali, naquele momento, não havia vítimas ou algozes, mas um Destino que se cumpria; que havia uma lição a ser apreendida; que se houvesse um Perdão dado a alguém ele, o Perdão, deveria vir do Pai que é o único capaz de concedê-lo e esquecer sem prejuízo. Então ele chora e clama: “Eli, Eli, lama sabachthani; isto é, Deus meu, Deus meu, porque me desamparaste?” (Matheus, 27 - v.46).

Eu acredito no perdão segundo uma definição mais simples encontrada também nos dicionários: “uma fórmula de civilidade com que se pede desculpa” – aliás, desculpa também é outra fórmula mágica para o alívio da consciência (culpa essa, mais judaica que cristã). Perdoa-se um pisão involuntário no pé, perdoa-se um esbarrão, perdoa-se um traque no elevador, perdoa-se o involuntário, o acidental, o irrefletido. O Perdão amplo demais me intimida. Não sou e nem pretendo ser magnânimo. Não sou tão Bom assim. Falta-me a prepotência necessária para perdoar. Não sou um desmemoriado reinventando a roda todos os dias. Em minha escuridão ancestral, Nêmesis e Tisífone (Vingança e Retaliação) estão vivas e murmuram: “- Olho por olho, dente por dente, toma a justiça nas tuas próprias mãos!”. Mas fui bem ensinado pela Vida e faço ouvidos moucos às velhas.

Não Perdoo. Não Esqueço. Não peço Perdão. Que se cumpra o Destino!

Murilo Pagani - 12/04/2010

Estamos todos conectados de alguma forma misteriosa. As pessoas que amamos, e que nos amam, são as mais próximas nessas conexões. Por intuição, por afinidade espiritual, por ligações mentais, por elos emocionais, por conspirações do Universo – deem o nome que derem – são essas pessoas que nos salvam de perdermos nossa Alma.

Depois de um final de semana, que quase me destruiu, abri nessa manhã um e-mail de uma grande amiga com a indicação do curta “Validation”.

Compartilho com vocês esse filme e na sequência outro, “Dancing”, encontrado durante a busca pelos créditos autorais do primeiro, que fez com que eu conseguisse limpar parte das cinzas das quais venho me erguendo paulatinamente.

À Esmeralda só posso dedicar meu Amor e um imenso sentimento de gratidão.

Validation




Legenda de Diogo Gottardi

Dancing




sábado, 10 de abril de 2010

Meu Erro


Tarde de sábado,
quando já não há mais o que fazer,
quando todas as portas se fecharam,
quando todas as janelas não mostram mais,
quando o único sentimento que há é triste
e chorar é o que me resta.

Murilo Pagani - 10/04/2010

quarta-feira, 7 de abril de 2010


Harry Clarke (Irlanda, 1889/1931) para "Fausto"

Bom Conselho

Não se prostitua nem venda sua Alma ao Diabo.
Se for absolutamente necessário - e a Vida se encarregará de fazer absolutamente necessário - lembre-se de considerar um alto valor, não tenha remorsos e desfrute de bons orgasmos.

Murilo Pagani - 07/04/2010

Eugène Delacroix (França, 1798/1863) para "Fausto"

terça-feira, 6 de abril de 2010

Restauração

Trabalho de restauro em moldura com douração e envelhecimento.

















MuriloPagani - 21/05/2007

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Morpheús

Morpheús - Jean Antoine Houdon, 1741/1828

Hoje eu acordei muito cedo.
Acordei antes da cidade, antes da luz.
Acordei antes do som das muitas vozes que falam em mim.
Acordei bom de um sonho bom. Puro e delicado como foi o sonho. Acordei tão bom e puro e delicado que pensei que estava triste. E fiquei cuidando dessa bondade em mim da mesma forma que cuidamos de um passarinho que caiu do ninho, com mãos leves, as palmas em concha, o coração batendo pouco para não assustar. Cuidando dessa bondade e pureza e delicadeza cheio de esperança que houvesse sobrevivência e sabendo que logo haveria um bater frenético de asas e minhas mãos se abririam para dar liberdade ao que não poderia sobreviver em mim, comigo. Durante algumas poucas horas guardei comigo essas sensações que um sonho me deixara.

Aos dezesseis anos vivi um Amor.
Um Amor tão bom e tão puro e tão delicado que eu nem sabia o que era além de ser Amor. Um Amor que fez eu desejar ser o melhor que um ser humano pode ser para ser digno dele. Um Amor que aspirava apenas ser o que era. Um Amor que se alimentava de si mesmo em sua imensidão e em sua força pedia para voar livre em mim, de mim. Um Amor que apenas era, sem querer, sem estar, sem poder, sem desejar, sem reter, sem qualquer outra coisa além de apenas ser Amor. Vivi esse amor com mãos leves e em concha, com o coração batendo pouco para não assustar. Foi assim.

Nessa madrugada acordei de um sonho:
Eu estava em um colégio em que nunca estudei, era um final de tarde e os alunos saiam das aulas. E o colégio foi se esvaziando e silenciando até restar sua arquitetura neoclássica com seus corredores, pátios e jardins. Eu sabia que ainda não haviam saído todas as pessoas. Professores e funcionários eram vultos silentes do outro lado das paredes. Eu não devia estar ali e estava. Estava esperando alguém que eu não sabia quem era até que ele surgiu de traz de uma coluna vindo em minha direção. Ele se chegou com a mesma felicidade de gestos de que me lembro e caminhamos juntos até um pequeno pátio com uma fonte. Riamos e ele contava do dia enquanto eu o observava pensando que depois de todos esses anos ainda éramos os mesmos. Então, ele se aproximou e olhando nos meus olhos revelou silenciosamente seu Amor por mim e reconheceu o meu Amor em mim. E ternamente nos abraçamos e nos beijamos com a delicadeza e o tremor nos lábios do primeiro beijo de Amor. Foi assim.

Hoje eu acordei muito cedo.
Acordei antes da cidade, antes da luz.
Acordei antes do som das muitas vozes que falam em mim.
Acordei imerso nesse Amor bom, puro e delicado. Fiquei cuidando dele o tanto que foi possível com as mãos em concha, sentindo uma felicidade triste e o coração batendo pouco para não assustar.

Murilo Pagani

Oya (Oiá) é a divindade dos ventos, das tempestades e do rio Níger que, em iorubá, chama-se Odò Oya. Foi a primeira mulher de Xangô e...