domingo, 27 de setembro de 2009

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Laerte Coutinho, cartunista.
São Paulo, 10/06/1951

sábado, 26 de setembro de 2009

Pingeon: Implossible
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Obsolescência alada


Durante muito tempo administradores e responsáveis pela saúde pública trataram a proliferação descontrolada de pombos como um problema de zoonose.

Mas a despeito de qualquer esforço oficial, essas criaturas malditas continuam se multiplicando por geração espontânea, brotando de conchas de ar-condicionado e restos de misto quente. Habituados a morar em qualquer buraco e a banharem-se em poças de chorume, os pombos já disputam com baratas e camundongos o posto de merda viva mais evoluída do nosso planeta lixo.

Usando de malícia e fazendo pose de rolinha, conseguem alimento chafurdando restos ou seduzindo pessoas de idade – geralmente solitárias e sem TV a cabo – que se entregam ao vício terminal de alimentá-los com farelo amarelo (o farelo amarelo quando misturado com refrigerante provoca efeitos alucinógenos, levando o pombo a atravessar a rua fora da faixa).

No entanto, o principal problema não é a quantidade de pombos, mas a inutilidade dessas aves. E tudo que foi feito até aqui vislumbrou apenas o controle numérico desses mendigos voadores, sem garantir nenhuma utilidade prática para a espécie – característica imprescindível para a permanência de um ser vivo no bioma.

A verdade é que os pombos foram desempregados pela modernidade, e a disfunção da raça é culpa dos correios. A partir do momento em que o serviço postal deixou de treinar as aves para a entrega de mensagens, os animais perderam serventia e não foram realocados na sociedade moderna. O pombo deixou de ser um nobre prestador de serviços para exercer o cargo de parasita urbano – disputando com guardadores de carro o posto de inutilidade mais indigesta do século XX.

Entendendo esse ornitoídeo como um comunicador desempregado, podemos não apenas buscar soluções mais criativas para o problema, como ainda enxergar paralelos curiosos com os elementos da contemporaneidade.

Em um primeiro momento, poderíamos transformar os pombos em antenas voadoras de celular, ampliando a área de cobertura das operadoras de telefonia móvel. Acoplados ao crânio das aves, as antenas poderiam ser recarregadas pelo chacoalhar frenético da cabeça desse animal, que devido a um sistema interno de roldanas e fios não consegue andar sem esse cacoete escroto.

O fato das empresas de celular costumeiramente cagarem na cabeça dos clientes só torna a implementação da idéia ainda mais verossímil. Para tornar esse pequeno incidente favorável ao negócio, as empresas argumentariam que levar uma cagada de pombo seria garantia de amplo atendimento. É possível imaginar anúncios de TV em que o cliente sorri ao ser metralhado por merda de operadora – e enche a boca pra alardear a melhor cobertura do mercado: “a TIM caga pra você”.

Por outro lado, o sindicato dos pombos poderia assegurar junto ao ministério do trabalho um cargo inútil no orçamento público, daqueles que servem para garantir a sobrevida de profissionais obsoletos como ascensoristas e senadores. Recursos tecnológicos virtuais poderiam ser gradativamente substituídos por visitas de passarinho, o que daria um ar bucólico para trocas de mensagens simples como torpedos SMS e e-mails pessoais.

Como contrapartida, teríamos o surgimento do pombo spam – aquele que atravessa longas distâncias carregando promoções de Viagra e soluções para aumentar o pênis. Nesse caso é aconselhável deletar o pombo, e você pode usar o próprio punho ou encomendar um antivírus de rapina. Nas versões populares, um urubu ficaria de vigília na janela caçando pombos com doenças medievais como tuberculose e tifo (veja pelo lado positivo, em alguns casos é melhor perder um pulmão que formatar o HD acidentalmente).

Atropelar um pombo não seria sinal de mau agouro se o último suspiro do bichinho fosse emoldurado por um teclado irritante: você provavelmente matou um PowerPoint musical. E se ao chegar de viagem, encontrar o parapeito apinhado de pombos, não se desespere...

É apenas sua caixa postal que deve estar cheia.
Fabio Lopez é carioca,
tem 29 anos e é designer formado pela Esdi.
Desenvolve e pesquisa tipografia desde 1998, e tem por hábito escrever críticas e poesias.
Seus projetos têm como característica o humor ácido e irreverente.
Também administra uma página na internet sobre design e filatelia.
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O Sabiá e o Gavião

Eu nunca falei à toa.
Sou um cabôco rocêro,
Que sempre das coisa boa
Eu tive um certo tempero.
Não falo mal de ninguém,
Mas vejo que o mundo tem
Gente que não sabe amá,
Não sabe fazê carinho,
Não qué bem a passarinho,
Não gosta dos animá.

Já eu sou bem deferente.
A coisa mió que eu acho
É num dia munto quente
Eu i me sentá debaxo
De um copado juazêro,
Prá escutá prazentêro
Os passarinho cantá,
Pois aquela poesia
Tem a mesma melodia
Dos anjo celestiá.

Não há frauta nem piston
Das banda rica e granfina
Pra sê sonoroso e bom
Como o galo de campina,
Quando começa a cantá
Com sua voz naturá,
Onde a inocença se incerra,
Cantando na mesma hora
Que aparece a linda orora
Bejando o rosto da terra.

O sofreu e a patativa
Com o canaro e o campina
Tem canto que me cativa,
Tem musga que me domina,
E inda mais o sabiá,
Que tem premêro lugá,
É o chefe dos serestêro,
Passo nenhum lhe condena,
Ele é dos musgo da pena
O maiô do mundo intêro.

Eu escuto aquilo tudo,
Com grande amô, com carinho,
Mas, às vez, fico sisudo,
Pruquê cronta os passarinho
Tern o gavião maldito,
Que, além de munto esquisito,
Como iguá eu nunca vi,
Esse monstro miserave
É o assarsino das ave
Que canta pra gente uví.

Muntas vez, jogando o bote,
Mais pió de que a serpente,
Leva dos ninho os fiote
Tão lindo e tão inocente.
Eu comparo o gavião
Com esses farão cristão
Do instinto crué e feio,
Que sem ligá gente pobre
Quê fazê papé de nobre
Chupando o suó alêio.

As Escritura não diz,
Mas diz o coração meu:
Deus, o maió dos juiz,
No dia que resorveu
A fazê o sabiá
Do mió materiá
Que havia inriba do chão,
O Diabo, munto inxerido,
Lá num cantinho, escondido,
Também fez o gavião.

De todos que se conhece
Aquele é o passo mais ruim
É tanto que, se eu pudesse,
Já tinha lhe dado fim.
Aquele bicho devia
Vivê preso, noite e dia,
No mais escuro xadrez.
Já que tô de mão na massa,
Vou contá a grande arruaça
Que um gavião já me fez.

Quando eu era pequenino,
Saí um dia a vagá
Pelos mato sem destino,
Cheio de vida a iscutá
A mais subrime beleza
Das musga da natureza
E bem no pé de um serrote
Achei num pé de juá
Um ninho de sabiá
Com dois mimoso fiote.

Eu senti grande alegria,
Vendo os fíote bonito.
Pra mim eles parecia
Dois anjinho do Infinito.
Eu falo sero, não minto.
Achando que aqueles pinto
Era santo, era divino,
Fiz do juazêro igreja
E bejei, como quem bêja
Dois Santo Antõi pequenino.

Eu fiquei tão prazentêro
Que me esqueci de armoçá,
Passei quage o dia intêro
Naquele pé de juá.
Pois quem ama os passarinho,
No dia que incronta um ninho,
Somente nele magina.
Tão grande a demora foi,
Que mamãe (Deus lhe perdoi)
Foi comigo à disciprina.

Meia légua, mais ou meno,
Se medisse, eu sei que dava,
Dali, daquele terreno
Pra paioça onde eu morava.
Porém, eu não tinha medo,
Ia lá sempre em segredo,
Sempre. iscondido, sozinho,
Temendo que argúm minino,
Desses perverso e malino
Mexesse nos passarinho.

Eu mesmo não sei dizê
O quanto eu tava contente
Não me cansava de vê
Aqueles dois inocente.
Quanto mais dia passava,
Mais bonito eles ficava,
Mais maió e mais sabido,
Pois não tava mais pelado,
Os seus corpinho rosado
Já tava tudo vestido.

Mas, tudo na vida passa.
Amanheceu certo dia
O mundo todo sem graça,
Sem graça e sem poesia.
Quarqué pessoa que visse
E um momento refritisse
Nessa sombra de tristeza,
Dava pra ficá pensando
Que arguém tava malinando
Nas coisa da Natureza.

Na copa dos arvoredo,
Passarinho não cantava.
Naquele dia, bem cedo,
Somente a coã mandava
Sua cantiga medonha.
A menhã tava tristonha
Como casa de viúva,
Sem prazê, sem alegria
E de quando em vez, caía
Um sereninho de chuva.

Eu oiava pensativo
Para o lado do Nascente
E não sei por quá motivo
O só nasceu diferente,
Parece que arrependido,
Detrás das nuve, escondido.
E como o cabra zanôio,
Botava bem treiçoêro,
Por detrás dos nevoêro,
Só um pedaço do ôio.

Uns nevoêro cinzento
Ia no espaço correndo.
Tudo naquele momento
Eu oiava e tava vendo,
Sem alegria e sem jeito,
Mas, porém, eu sastifeito,
Sem com nada me importá,
Saí correndo, aos pinote,
E fui repará os fiote
No ninho do sabiá.

Cheguei com munto carinho,
Mas, meu Deus! que grande agôro!
Os dois véio passarinho
Cantava num som de choro.
Uvindo aquele grogeio,
Logo no meu corpo veio
Certo chamego de frio
E subindo bem ligêro
Pr’as gaia do juazêro,
Achei o ninho vazio.

Quage que eu dava um desmaio,
Naquele pé de juá
E lá da ponta de um gaio,
Os dois véio sabiá
Mostrava no triste canto
Uma mistura de pranto,
Num tom penoso e funéro,
Parecendo mãe e pai,
Na hora que o fio vai
Se interrá no cimitéro.

Assistindo àquela cena,
Eu juro pelo Evangéio
Como solucei com pena
Dos dois passarinho véio
E ajudando aquelas ave,
Nesse ato desagradave,
Chorei fora do comum:
Tão grande desgosto tive,
Que o meu coração sensive
Omentou seus baticum.

Os dois passarinho amado
Tivero sorte infeliz,
Pois o gavião marvado
Chegou lá, fez o que quis.
Os dois fiote tragou,
O ninho desmantelou
E lá pras banda do céu,
Depois de devorá tudo,
Sortava o seu grito agudo
Aquele assassino incréu.

E eu com o maiô respeito
E com a suspiração perra,
As mão posta sobre o peito
E os dois juêio na terra,
Com uma dó que consome,
Pedi logo em santo nome
Do nosso Deus Verdadêro,
Que tudo ajuda e castiga:
Espingarda te preciga,
Gavião arruacêro!

Sei que o povo da cidade
Uma idéia inda não fez
Do amô e da caridade
De um coração camponês.
Eu sinto um desgosto imenso
Todo momento que penso
No que fez o gavião.
E em tudo o que mais me espanta
É que era Semana Santa!
Sexta-fêra da Paixão!

Com triste rescordação
Fico pra morrê de pena,
Pensando na ingratidão
Naquela menhã serena
Daquele dia azalado,
Quando eu saí animado
E andei bem meia légua
Pra bejá meus passarinho
E incrontei vazio o ninho!
Gavião fí duma égua!

Patativa do Assaré
Antônio Gonçalves da Silva
Assaré, Ceará, 05/03/1909 – 08/07/2002

domingo, 13 de setembro de 2009

Recebi esse e-mail de um amigo que recebeu de uma amiga.
Um artigo publicado num jornal importante do país que fala dos males da rotina que o autor destaca em garrafais, negrito e sublinhado. Ele vai muito coerentemente bem numa leitura superficial mas, ao aprofundarmos um pouquinho mais (muito não é preciso) no texto perceberemos mais uma receita de fuga de nós mesmos, alienação e dispersão de força vital.
Para começar faz afirmações sobre o funcionamento do cérebro e diz que qualquer um ficaria louco se tivesse que processar conscientemente a enorme quantidade de pensamentos que tem por dia. Então, diz que para evitar a loucura, o cérebro otimizado automatiza determinadas funções e apaga de seu registro de eventos as experiências duplicadas(?), que a rotina (repleta de experiências duplicadas) é fator de anulação do registro da passagem e conseqüente aceleração do tempo(?), que ao ficarmos mais velhos os natais chegam mais rápidos(?), e que para solucionarmos a questão devemos entupir o cérebro de novidades, mudanças, “com qualidade, emoção, rituais(?) e vida”.
*As interrogações são minhas.
Justifico-as porque não posso deixar de pensar na superficialidade de cada uma das afirmações.
O cérebro apaga experiências duplicadas? O que dizer então do aprendizado que é caracterizado pela repetição, compreensão e amadurecimento das experiências? O que dizer da necessidade fisiológica de rotina alimentar, de sono, de atividade, de prazer? O que dizer da necessidade psicológica de estabilidade, referência, identificação (para citar apenas algumas relacionadas com a rotina)? O que dizer do apelo emocional por afeto continuado, equilíbrio no humor, tranqüilidade e paz de espírito (que tédio!)?
A rotina propicia a anulação do registro da passagem do tempo e o acelera? O que dizer da mocinha que carimba documentos no cartório e de dois em dois segundos olha para o relógio na parede do fundo e suspira “- Vai dar vinte horas mas não vai dar dezessete para eu ir embora!”? (e ela só trabalha quatro horas!)
Quando ficamos mais velhos os natais realmente chegam mais rápidos ou as vitrines e decorações é que se antecipam dois meses do Advento (que já é um período de quatro semanas antes do Natal)?
Se o cérebro fica louco com o excesso de informação (o que eu duvido), será aconselhável entupi-lo de mudanças, emoções, e novas experiências (perceberam a incoerência)?
Rituais? Segundo o Houaiss a definição de ritual vem associada às práticas próprias, às regras estabelecidas, à paciência, à cerimônia, ao cuidado, e nos casos psicopatológicos ao “comportamento repetido e sem sentido aparente, mantido por um indivíduo com o fim de aliviar a ansiedade, característico de neuroses obsessivo-compulsivas”. Não seria contra senso o ritual como solução para a rotina?
Não estou aqui para julgar as escolhas pessoais que cada um faz para lidar com a própria vida, mas penso que elas, as escolhas, devem, no mínimo, ser coerentes entre si. Penso que elas, as pessoas, devem ter mais cuidado ao prescrever receitas. Penso que devemos ter muito cuidado com o que aparece publicado como solução para distúrbios emocionais ou psicológicos. Penso que um pouco de reflexão e avaliação podem evitar a propagação de tamanha confusão mental.
Penso que não tenho nada pessoalmente com isso.
Penso que não tenho conselhos para dar ou vender à ninguém.
Penso que estou, apenas, pensando.
Penso que meu cérebro vai bem obrigado.
Penso que estou acima da média, porque tenho mais de 60 mil pensamentos processados por dia.

Segue o artigo (sem o nome do autor e do jornal para evitar quebra na minha rotina com processos judiciais):

A Mente apaga registros duplicados.

O cérebro humano mede o tempo por meio da observação dos movimentos. Se alguém colocar você dentro de uma sala branca vazia, sem nenhuma mobília, sem portas ou janelas, sem relógio... você começará a perder a noção do tempo.
Por alguns dias, sua mente detectará a passagem do tempo sentindo as reações internas do seu corpo, incluindo os batimentos cardíacos, ciclos de sono, fome, sede e pressão sanguínea. Isso acontece porque nossa noção de passagem do tempo deriva do movimento dos objetos, pessoas, sinais naturais e da repetição de eventos cíclicos, como o nascer e o pôr do sol.
Compreendido este ponto, há outra coisa que você tem que considerar:

Nosso cérebro é extremamente otimizado.Ele evita fazer duas vezes o mesmo trabalho.
Um adulto médio tem entre 40 e 60 mil pensamentos por dia. Qualquer um de nós ficaria louco se o cérebro tivesse que processar conscientemente tal quantidade. Por isso, a maior parte destes pensamentos é automatizada e não aparece no índice de eventos do dia e, portanto, quando você vive uma experiência pela primeira vez, ele dedica muitos recursos para compreender o que está acontecendo. É quando você se sente mais vivo. Conforme a mesma experiência vai se repetindo, ele vai simplesmente colocando suas reações no modo automático e “apagando” as experiências duplicadas.

Se você entendeu estes dois pontos, já vai compreender porque parece que o tempo acelera, quando ficamos mais velhos e porque os Natais chegam cada vez mais rapidamente.
Quando começamos a dirigir automóveis, tudo parece muito complicado, nossa atenção parece ser requisitada ao máximo. Então, um dia dirigimos trocando de marcha, olhando os semáforos, lendo os sinais ou até falando ao celular ao mesmo tempo. Como acontece? Simples: o cérebro já sabe o que está escrito nas placas (você não lê com os olhos, mas com a imagem anterior, na mente); O cérebro já sabe qual marcha trocar (ele simplesmente pega suas experiências passadas e usa, no lugar de repetir realmente a experiência). Ou seja, você não vivenciou aquela experiência, pelo menos para a mente. Aqueles críticos segundos de troca de marcha, leitura de placa são apagados de sua noção de passagem do tempo.

Quando você começa a repetir algo exatamente igual, a mente apaga a experiência repetida. Conforme envelhecemos as coisas começam a se repetir - as mesmas ruas, pessoas, problemas, desafios, programas de televisão, reclamações, enfim... As experiências novas (aquelas que fazem a mente parar e pensar de verdade, fazendo com que seu dia pareça ter sido longo e cheio de novidades), vão diminuindo. Até que tanta coisa se repete que fica difícil dizer o que tivemos de novidade na semana, no ano ou, para algumas pessoas, na década.
Em outras palavras, o que faz o tempo parecer que acelera é a... ROTINA.
A rotina é essencial para a vida e otimiza muita coisa, mas a maioria das pessoas ama tanto a rotina que, ao longo da vida, seu diário acaba sendo um livro de um só capítulo, repetido todos os anos.

Felizmente há um antídoto para a aceleração do tempo: M & M (Mude e Marque).

Mude, fazendo algo diferente e marque, fazendo um ritual, uma festa ou registros com fotos. Mude de paisagem, tire férias com a família (sugiro que você tire férias sempre e, preferencialmente, para um lugar quente, um ano, e frio no seguinte) e marque com fotos, cartões postais e cartas. Tenha filhos (eles destroem a rotina) e sempre faça festas de aniversário para eles, e para você (marcando o evento e diferenciando o dia). Use e abuse dos rituais para tornar momentos especiais diferentes de momentos usuais. Faça festas de noivado, casamento, 15 anos, bodas disso ou daquilo, bota-foras, participe do aniversário de formatura de sua turma, visite parentes distantes, entre na universidade com 60 anos, troque a cor do cabelo, deixe a barba, tire a barba, compre enfeites diferentes no Natal, vá a shows, cozinhe uma receita nova, tirada de um livro novo. Escolha roupas diferentes, não pinte a casa da mesma cor, faça diferente. Beije diferente sua paixão e viva com ela momentos diferentes. Vá a mercados diferentes, leia livros diferentes, busque experiências diferentes. Seja diferente. Se você tiver dinheiro, especialmente se já estiver aposentado, vá com seu marido, esposa ou amigos para outras cidades ou países, veja outras culturas, visite museus estranhos, deguste pratos esquisitos... Em outras palavras... V-I-V-A!!!
Porque se você viver intensamente as diferenças, o tempo vai parecer mais longo. E se tiver a sorte de estar casado(a) com alguém disposto(a) a viver e buscar coisas diferentes, seu livro será muito mais longo, muito mais interessante e muito mais v-i-v-o do que a maioria dos livros da vida que existem por aí.
Cerque-se de amigos. Amigos com gostos diferentes, vindos de lugares diferentes, com religiões diferentes e que gostam de comidas diferentes.

Enfim, acho que você já entendeu o recado, não é?
Boa sorte em suas experiências para expandir seu tempo, com qualidade, emoção, rituais e vida.
E S CR EVA em tAmaNhos diFeRenTes e em CorES di f E rEn tEs !
CRIE, RECORTE, PINTE, RASGUE, MOLHE, DOBRE, PICOTE, INVENTE, REINVENTE... V I V A !!!!!!!!

Oya (Oiá) é a divindade dos ventos, das tempestades e do rio Níger que, em iorubá, chama-se Odò Oya. Foi a primeira mulher de Xangô e...