“As três Moiras, de mãos dadas,
mensageiras do Mar e da Terra, assim começam a trabalhar!
Três voltas para ti, três para mim e três outras para que sejam nove.
Silêncio! O feitiço se realizou!”
William Shakespeare


Cloto separa os fios de seda e ouro dos de lã e cânhamo.
Láquesi gira o fuso.
Átropos, a Velha, empunha a tesoura.

As Moiras tecem, tecem, tecem...
Indiferentemente, alheias, fiam...
No fundo da gruta seus bordados brilham.

As três Irmãs se entreolharam.
Nenhuma delas disse nada.
A palavra desnecessária.

Elas sabiam.
Dessa sabedoria antiga.
Muito mais velha que a Mãe delas, Nix.

Houve um brilho naqueles olhos.
O Fio de Ouro!
A Roca, o Fuso a Tesoura.

“- Guarde sua tesoura!” Alguém olhou...
“- Aguarde sua vez!” Outra olhou...
“- Até quando?”

Os três pares de olhos brilharam na escuridão.
Do significado desse brilho ninguém sabe além das três irmãs.
Esse brilho faz parte dos “Mistérios”.
Murilo Pagani

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