Isso estava escrito em algum lugar.
Numa página, num caderno, talvez em 1994. Não antes.

“... tudo que quis e desejei e sonhei está lá, ainda fora de alcance.
Porque quis além do que seria possível querer e desejar e sonhar.
Não tive nada com o que realizei.
Tudo que fiz, não fiz.
Dizem que sim.
Pouco provável.
Não assino no final.”

Isso estava lá.
Uma letra que não era a minha.
Era.
Que era uma outra letra que saia de mim.
Desesperada demais.
Alucinada demais.
Ainda está lá, no fundo do que sou.
O que sou.
Continua onde está.
Ainda sendo real.

Murilo Pagani
10/06/1999

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