sábado, 9 de agosto de 2008


Agora já passou...
Passa sempre. Depois de algum tempo, sempre passa.
Um leve arfar. Uma súbita rajada.
Já passou.
É sempre assim.
Efêmero.
Em qualquer lugar.
Não se fixam sob nossos olhares estupefatos.

Certos ventos de agosto.
Certos agostos ultrapassam seus limites e instalam-se em nossas vidas para sempre.
Definitivamente.
Irregulares, instáveis, impossíveis.
Alguns ventos de agosto transformam nossas vidas para sempre.

Estamos lá, onde não deveríamos estar. Persuadidos por essas confidências, segredos sussurrados. Sopros revelados em nossos ouvidos.
Eles vêm e vão.
Nossos cabelos sujeitos ao capricho de seus movimentos.
Um ar de desordem e revolta.


Murilo Pagani

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