Pular para o conteúdo principal

Postagens

Destaques

Le Radeau de la Méduse, 1818-1819 Théodore Géricault

Somos sobreviventes.
Sobreviventes e, ao contrário do que pensa o senso comum, não há glória nisto, não há regozijo, não há mérito, não há bravura, não há heroísmo, não há respeito ou compaixão, não há orgulho, não há honra.
Um sobrevivente não é alguém que ande de cabeça erguida. Um sobrevivente é um vulto, um indigente que rasteja sob o sol, sombra de si mesmo, pelos cantos da calçada. Um sobrevivente é o restolho do vaticínio do fracasso que malogrou. Um sobrevivente é o excremento que flutua ao fim do naufrágio. Um sobrevivente é alguém que vaga entre o que não foi, o que poderia ter sido e o que não será. Um sobrevivente é aquele que carrega os próprios cacos nos bolsos rotos e vê seus farelos caírem como fuligens de seus rastos. Não sabe de si. Não se reconhece. Não sabe de nada. Um sobrevivente somos nós todos os que seguimos sub-existindo.
Não há honra na sobrevivência, em ser a sobra da calamidade, aquilo que a desgraça n…

Últimas postagens